A Justiça de Israel julgará hoje pedido de repatriação de Lucas Lenon Sena, de 8 anos, feito pelos pais adotivos, José Darci Bezerra, 42 anos, e Ana Maria Bezerra, 42. O menino foi raptado em Cascavel pela mãe biológica, Angelita de Souza Sena, 25 anos, sobrinha de Ana Maria, que havia entregue Lucas ao casal quando ele tinha 35 dias de vida. Segundo os pais adotivos, Angelita posteriormente raptou a criança e levou-a para Israel, utilizando documentos fraudados.
O julgamento, na Vara de Família de Telaviv, capital israelense, será às 4 horas (horário de Brasília), e estarão presentes José Darci Bezerra e seu advogado, Carlos Cezário. A Vara foi designada pela Corte Suprema de Israel para decidir o pedido de repatriação. O caso envolve grande polêmica, demorada discussão judicial, acusação de omissão contra a embaixada brasileira naquele país e denúncia de tráfico de mulheres brasileiras para o Oriente Médio.
Lucas nasceu em um hospital de Campo Mourão, onde Angelita fez o parto. Ela foi mãe solteira e como enfrentava rejeição de familiares, entregou a criança para o casal Bezerra, que obteve na Justiça sua guarda legal. Depois, conquistou o direito de permanecer com ele um mês ao ano. Angelita, já morando em Israel, conseguiu uma via da comprovação do nascimento do menino no hospital e obteve passaporte para levá-lo para aquele país.
A última vez que os Bezerra viram a criança foi em janeiro de 1995 e só mais tarde eles descobriram seu paradeiro. Segundo José Darci e o advogado Carlos Cezário, além de ter sido raptado e para ele haver ordem de busca e apreensão da Justiça de Cascavel, o menino convive com pessoas envolvidas no tráfico de mulheres brasileiras para prostituição no Egito e Jordânia, em localidades próximas da fronteira com Israel. O chefe do tráfico seria Moshe Sarussi, companheiro de Angelita.

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