Decisão sobre a contribuição sindical só sai depois de consulta
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quarta-feira, 18 de novembro de 1998
Dimitri do Valle 
Sete professores ligados a APP-Sindicato entram em greve de fome a partir das 8 horas de hoje na Boca Maldita, em Curitiba. Eles protestam contra decisão anunciada ontem pelo secretário da Educação, Ramiro Wahrhaftig. O secretário informou que será realizada uma consulta com a categoria sobre o desconto em folha de pagamento da contribuição mensal ao sindicato, suspensa no mês passado.
A decisão de promover a consulta, que deverá estar concluída em duas semanas, surpreendeu a direção da APP, que se reuniu no final da tarde com Wahrhaftig e uma comissão de deputados estaduais. Ele (Wahrhaftig) está saindo derrotado e quer destruir o sindicato com retaliações. Isso é uma intervenção. Não podemos ter um Pinochet no Paraná, criticou o secretário de imprensa do sindicato, José Lemos. Antes da reunião, a direção do sindicato tinha esperanças de que o secretário revesse sua posição. Wahrhaftig não foi localizado para falar sobre a polêmica.
O encontro entre Wahrhaftig e a direção da APP foi realizado na Casa Civil, no Palácio Iguaçu. A imprensa não teve acesso à reunião, que durou apenas cerca de 15 minutos. O deputado Ângelo Vanhoni (PT), que acompanhou a discussão, disse que a decisão do secretário da Educação representa uma agressão a uma entidade civil que tem todo o direito de se organizar. Vanhoni lembrou que a contribuição já era uma autorização formal por parte dos professores e que a consulta tinha o objetivo de destruir a entidade.
O governo decidiu fazer uma intervenção no sindicato. Isso é uma coisa grave, afirmou o petista. Para o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Valdir Rossoni (PTB), a consulta é democrática e salutar. O parlamentar se irritou ao ser questionado se Wahrhaftig estava intervindo no sindicato. Até parece que você está defendendo a causa dos professores, insinuou Rossoni ao repórter da Folha. Rossoni foi um dos principais alvos de críticas da APP durante o processo que aprovou a criação da Paranaeducação, no final do ano passado.
O detalhe é que em março passado os sindicalistas haviam conseguido restabelecer a cobrança pela via judicial. O Tribunal de Justiça do Paraná chegou a conceder uma liminar obrigando o governo do Estado a restabelecer a cobrança das mensalidades para a APP e o Sindicato dos Funcionários Públicos do Paraná (Sindiservidores). Na liminar o TJ classificou de sérios transtornos a suspensão do repasse sem aviso prévio.


