Decisão judicial livra moradores da ameaça de despejo
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 1997
Lúcio Horta 
Moradores do conjunto residencial Jamaica 2, no jardim Bandeirantes (zona oeste), em Londrina, conseguiram no final da semana passada uma importante vitória na batalha judicial que travam contra a Caixa Econômica Federal (CEF). O juiz Carlos Sobrinho, do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre (RS), julgou favorável recurso pedindo suspensão das ordens de despejo no residencial. O recurso - nominado agravo de instrumento - impede a desocupação do imóvel até que uma outra ação seja julgada. Essa ação corre na 1ª Vara da Justiça Federal, em Londrina, e também pede a suspensão dos despejos.
O residencial Jamaica 2 foi inaugurado em 1991 com 12 blocos (três andares cada um) e 192 apartamentos no total, de dois e três quartos cada. O financiamento foi feito pela Caixa. Mas as prestações foram subindo muito, para até R$ 800, e os mutuários reclamam hoje que não têm condições de pagar. Outra questão: o saldo devedor dos apartamentos está na casa dos R$ 60 mil, quando os imóveis no mercado valem no máximo R$ 15 mil.
O caso foi parar na Justiça quando os moradores, inconformados com os altos valores das prestações, conseguiram liminar e passaram a pagá-las em juízo. Mas a liminar logo foi cassada e a maioria simplesmente deixou de fazer os pagamentos, cumprindo apenas obrigações como o Imposto Predial, Territorial e Urbano (IPTU) e condomínio. A esperança é que os valores sejam corrigidos através da Justiça, tornando-se mais próximos da realidade do mercado.
Esse recurso é importantíssimo e pode beneficiar outras pessoas que estão na mesma situação, diz o advogado Louriberto Gonçalves, que defende os mutuários. Ele destaca que a decisão atinge apenas quem entrou na Justiça, cerca de 35% dos mutuários do residencial - os outros continuam sujeitos às ordens de despejo. Essas pessoas acham que já estão salvas, o que não é verdade. Muito pelo contrário: a Caixa a partir de agora deve acelerar as desocupações, adverte.
Os moradores do Jamaica 2 reclamavam sobretudo da dificuldade em negociar com a Caixa Econômica Federal. Segundo eles, quando procuravam um acordo, o banco propunha que primeiro quitassem o saldo devedor - os R$ 60 mil - para depois renegociar as prestações. E, se entregassem o imóvel, estavam sujeitos a ficar com o nome sujo na praça por vários anos.
Os moradores reúnem-se hoje, a partir das 20 horas, para decidir o próximo passo. Se nesse tempo todo a gente tivesse pagando as prestações, de acordo com as nossas possibilidades, a Caixa já teria arrecadado um dinheirão. Mas do jeito que está não é possível, observou a moradora Rosa Neide Lopes Ferreira, confiante que a partir de agora uma solução definitiva para o caso esteja próxima.
O gerente Vladimir Carlos Berbert, do setor de habitação da Caixa, afirmou ontem que o banco está formando um grupo de trabalho para fazer um levantamento de todos os financiamentos que apresentam problemas, inclusive do residencial Jamaica 2. O objetivo, segundo ele, é conhecer a realidade de cada mutuário e encontrar uma solução menos traumática para o impasse, sem passar pela ação de despejo. A Caixa vai avaliar todos os aspectos e pode até negociar de acordo com a capacidade de financiamento do mutuário, diz o gerente. Vladimir Berbert informa também que hoje mesmo o grupo de trabalho deverá estar passando pelo residencial Jamaica 2.
Segundo a Caixa, os contratos de financiamento foram feitos através do plano de equivalência salarial, com renda comprovada. Mas a situação chegou ao nível crítico porque muitos dos mutuários originais repassaram o financiamento para pessoas com menor renda, sem condições de pagá-lo. Resultado: somando juros e prestações não pagas, o saldo devedor passou a subir consideravelmente.


