Decisão judicial gera tumulto em canteiro de obras da Dixie
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quinta-feira, 18 de dezembro de 1997
Carina Paccola 
Londrina
César AugustoA postosPoliciais escoltam caminhão com guindaste, que foi retirado ontem do canteiro de obras da Dixie TogaO cumprimento de uma decisão judicial provocou no final da tarde de ontem um grande tumulto no canteiro de obras da fábrica de embalagens Dixie Toga, na Cidade Industrial (zona norte) de Londrina. Quatro oficiais de Justiça e mais de 30 policiais militares tiveram que agir para retirar um caminhão com guindaste da obra. Os trabalhadores tentaram impedir a saída do caminhão, colocando barreiras na pista. Gritando insultos, eles jogaram pedras de barro nos PMs. Um policial chegou a apontar um rifle contra os trabalhadores. O chefe da operação, o 1º tenente César Kister, disse que a arma tinha balas de borracha.
Os oficiais de Justiça cumpriam decisão da juíza da 8ª Vara Cível de Londrina, Cristiane Tereza Willy Ferrari, que acatou liminar concedida por um juiz da Comarca de Santa Luzia, em Minas Gerais. O veículo apreendido pertence à empresa mineira Santa Amália, que moveu ação cautelar de busca e apreensão do caminhão e de uma máquina perfiladeira, alegando que a Metalic Estruturas Metálicas não paga aluguel dos equipamentos desde setembro. A Metalic prestava serviços à Racional Engenharia, empreiteira responsável pela construção da fábrica da Dixie Toga. Segundo o advogado da Santa Amália, Geraldo Gonçalves, a dívida está em torno de R$ 200 mil.
Os oficiais da Justiça chegaram à Cidade Industrial por volta das 14 horas. O caminhão foi removido às 18h30. Depois da remoção do veículo, o tenente Kister dispensou os policiais militares, que saíram sob vaias dos trabalhadores. Às 20 horas, os oficiais ainda aguardavam a chegada de um chaveiro para colocar em operação a máquina que retiraria a perfiladeira. Sem esse equipamento, vai haver um atraso na obra - conforme o engenheiro chefe da Racional, Marco José Torres. Cerca de 600 pessoas trabalham nessa fase da construção. A perfiladeira de telhas faz a cobertura da fábrica e, segundo Torres, é o único equipamento existente no Brasil para esse serviço. A Dixie Toga está cumprindo todos os seus compromissos com as empreiteiras contratadas e não tem nenhuma responsabilidade pelo que aconteceu.
Na semana passada, já houve uma tentativa de retirada dos equipamentos por parte da Santa Amália. Os advogados das duas partes - Santa Amália e Racional - portavam liminares com decisões contrárias. A Racional entrou com novo pedido de liminar de posse sobre a máquina, que ainda vai ser julgado. O engenheiro Torres explica que o contrato com a Metalic prevê a permanência da máquina por 60 dias na obra, em caso de rescisão contratual. Esses 60 dias seriam suficientes para a conclusão do serviço, diz Torres. Ontem, o advogado da Santa Amália estava com colete à prova de balas porque disse que se sentia ameaçado.
O engenheiro da Racional afirma que a Metalic e a Santa Amália estão agindo de má-fé. Torres mostra fac-símiles de uma consulta feita pela Racional ao serviço Segurança ao Crédito e à Informação (SCI), que revelam que a Metalic pertence a Eduardo Henrique Lessa Sarubi; e que a Santa Amália é de propriedade da esposa e dos filhos de Eduardo: Juliana, Helena, Roberto e Flávia Cunha Sarubi. As cópias dos documentos revelam ainda que há pedidos de falência contra as empresas, ações na Receita Federal, emissões de cheques sem fundo.
Hoje pela manhã o diretor da Dixie Toga, Walter Schalka, e o prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PDT), visitam a obra. A Dixie Toga deve funcionar a partir de janeiro. Na semana passada, a indústria obteve autorização para operar durante 24 horas por dia. Com isso, deve aumentar o número de funcionários de 348 para 432. Até o final de 98, a Dixie deve empregar 800 pessoas.


