A prisão do classificador de café Jorge Pitarelo, 34 anos, condenado a três anos e sete meses em regime fechado por tráfico de drogas, está mobilizando parte dos moradores de Mandaguari (33 km a leste de Maringá). Pitarelo foi preso sexta-feira da semana passada após decisão anunciada pelo Tribunal de Justiça do Paraná. Amigos e conhecidos dele se mobilizam para mudar a pena para regime semi-aberto e não se conformam com a prisão depois de cinco anos do flagrante e da recuperação de Pitarelo.
‘‘Tive muito trabalho para recuperar o Jorge e agora não me conformo em devolver ele à polícia’’, disse o pastor Leonel Pedro Ramos, da Igreja Metodista. O pastor afirma que Pitarelo foi preso como ‘‘laranja’’, lutou para se recuperar e se transformou em um pai de família, trabalhador e cidadão respeitável. ‘‘Não dá para aceitar uma condenação nestas condições’’, desabafou o pastor. O coordenador de Recursos Humanos da Cooperativa dos Cafeicutores de Mandaguari, Ângelo Trintinalha, que trabalha com Pitarelo, diz que a empresa está fazendo de tudo por ele.
Trintinalha garante que o classificador não é a mesma pessoa que cometeu o crime. ‘‘Ele entrou aqui como guariteiro e se esforçou para subir de cargo. Hoje ele é do conselho de saúde e presidente da associação de pais da escola dos filhos.’’
O advogado da cooperativa, José Marco Carrasco, diz que não há meios para rever a pena. ‘‘Mas a comoção social pode colocar o justo antes do legal’’, entende. Apesar da promotora de Mandaguari Maria Sônia Freire garantir que não existe meio de recorrer da decisão do TJ, os advogados vão tentar mudar a pena de regime fechado para semi-aberto.
Para Pitarelo, o importante agora é buscar uma alternativa para a família. ‘‘Não dá para aceitar uma condenação destas’’. Ele conta que foi preso em 1994 com 12 papelotes de cocaína e confessa que fazia tráfico para manter o vício. ‘‘Agora estou recuperado. Fiquei preso, cheguei ao fundo do poço e achei uma luz em Deus, não quero deixar minha família sem minha presença justamente agora’’. Ele tem quatro filhos menores. ‘‘As mais velhas tem 8 e 9 anos e precisam muito de mim’’.
Pitarelo não nega o crime e diz que quer pagá-lo, mas apela por uma pena diferenciada para poder trabalhar. ‘‘Amigos meus que faziam tráfico junto comigo já foram condenados, cumpriram pena e hoje são pais de família’’, compara.

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