Professores e funcionários da Universidade Estadual de Londrina (UEL) não acataram a decisão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) de viabilizar atividades pedagógicas para as turmas de formandos. A decisão foi tomada, ontem, em assembléia de cada categoria, e o indicativo será levado, hoje, para assembléia do comando estadual, em Campo Mourão. Os alunos do último ano dependiam dessa decisão para retomar o ano letivo e conseguirem se formar.
A justificativa dos professores e funcionários é que ‘‘qualquer concessão pode enfraquecer o movimento de greve’’. ‘‘Isso significa uma flexibilização do movimento, o que não dá para fazer, se o governo não flexibiliza também’’, disse o presidente do Sindicato dos Servidores (Assuel), Itamar Nascimento.
A assembléia dos servidores também decidiu que não será realizado mutirão de limpeza na UEL. O ato havia sido sugerido pela própria Assuel, a exemplo das outras universidades em greve (UEM, de Maringé e Unioeste, de Cascavel). Nas duas instituições, os servidores se mobilizaram para fazer a limpeza. ‘‘Os funcionários entenderam que, mesmo mínima, seria uma suspensão do movimento de greve’’, disse Nascimento. A limpeza do campus está sendo feita por funcionários com função gratificada, convocados pelo reitor Pedro Gordan.
Os servidores também discutiram os principais pontos da proposta da governadora em exercício Emília Belinati (PFL), que pede a retomada das atividades do Hospital Universitário (HU), definição da data do vestibular e volta às aulas para os formandos, com a contraproposta de encaminhar com urgência projeto para alteração na tabela do Plano de Carreira, Cargos e Salários dos servidores. A decisão sobre o HU só deve sair na segunda-feira em assembléia com os funcionários. Sobre o vestibular, uma das sugestões dos servidores, que também será levada para discussão junto ao comando, é que seja realizado em julho.
Durante a assembléia, os docentes da UEL se posicionaram contra a manutenção do secretário Ramiro Wahrhaftig como interlocutor das negociações entre o comando de greve e o governo. ‘‘Ele está sem condições, desqualificado para negociar, queremos um novo interlocutor nas nossas negociações’’, disse Kennedy Piau, do comando de greve.
Em Cascavel, os servidores deliberaram favoravelmente à realização do vestibular na Unioeste. O comando de greve, que decidiu retirar a proposta de adiamento, entende que essa decisão é uma atitude política, como demonstração da força do movimento e de sua capacidade de negociar.

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