Decisão deve ser 'do coração'
Para o geriatra Marcos Cabrera, o melhor é que o idoso viva sozinho, cuidando da própria vida. Mas nem sempre isso é possível e a decisão de colocar os pais em um abrigo deve ser ''do coração''. ''Se a família tem condições, se o idoso precisa de cuidados específicos, não há nenhum problema em colocá-lo em uma casa de repouso. Será melhor para ele. Isso não significa que os familiares não poderão visitar e estar juntos sempre.''
''Em países desenvolvidos como nos Estados Unidos, os idosos se programam para viver os últimos anos de vida nesses locais. Isso para eles é um 'sonho de cosumo' porque lá encontram pessoas na mesma situação, podem se socializar'', explica.
A diferença, segundo Cabrera, é que no Brasil, o altíssimo grau de pobreza contribui para que os asilos sejam verdadeiros depósitos de gente. ''Mesmo com toda a legislação, com toda a exigência de controle sanitário, muitos desses locais não são adequados para os idosos. Em contrapartida, existem as más condições de tratamento dentro de casa também'', afirma.
Para Cabrera, o que precisa mudar é o conceito de asilo. ''Para nossa cultura, existe a idéia do abandono. O asilamento é considerado ruim, mas é preciso mudar o sentimento das famílias que precisam desses locais. É preciso entender que existe um grupo de pessoas que, ao envelhecer, terá como melhor opção a instituição. Isso pode ser uma decisão inteligente e você pode terceirizar o serviço. A única coisa que não pode ser terceirizado é o sentimento''.(M.O)





