Decisão da mãe nem sempre é respeitada
A história da passadeira Antônia Alves de Moura, 40 anos, demonstra como um parto mal conduzido pode ter consequências negativas. Grávida de gêmeos, ela teve um dos bebês naturalmente e o outro por cesárea, após duas horas de espera pelo segundo nascimento. ''A dor foi tanta que eu já não sentia mais nada. O pior foi ouvir o médico dizer que eu não estava colaborando'', reclamou ela, que teve outros três filhos por parto normal, mas pediu para fazer cesárea, na última gravidez, por medo de prejudicar os gêmeos.
A criança que demorou a nascer ficou na incubadora por quase dez dias. Há três meses, com quatro anos de idade, sofreu uma convulsão que pode ser sequela do parto. A mãe também sofre. Após o nascimento dos filhos, teve deslocamento de bacia por conta do esforço feito e passou 90 dias engessada. ''Amamentei os dois com o gesso'', disse. Diante das dores constantes na coluna, abandonou a atividade de diarista que garantia o sustento dos cinco filhos. ''Vivo de ajuda'', lamentou ela.
A estudante Patrícia (nome fictício), enfrentou problema oposto. Apesar de avisar a obstetra que gostaria de tentar o parto normal, foi induzida a fazer cesárea com 38 semanas de gestação (o processo pode durar até 42 semanas). ''Ela dizia que eu não tinha dilatação e marcou a cirurgia. Achei muito cedo e pedi para esperar, mas como argumentar com uma médica?'', questionou.
Durante o pré-natal, a obstetra chegou a afirmar para Patrícia que preferia fazer cesáreas. Para a ex-gestante, a profissional tentou adaptar o nascimento de filha, que hoje tem três meses, aos seus horários pessoais. ''A médica não respeitou minha decisão'', comentou. Ao contrário de muitas mães, ela lamenta não ter sentido as dores do parto. ''O sentimento é de muita frustração.''
Quando há sintonia entre médico e gestante, o nascimento do bebê deixa de ser fonte de angústia para se transformar em satisfação. A história de Paula Cristina Cernach de Souza, 34, exemplifica isso. Mãe de Camila, 5 anos, e Gustavo, 5 meses, ela teve os dois filhos por parto normal com analgesia para amenizar a dor. ''Sempre preferi o caminho natural'', afirmou.
Segundo ela, a obstetra apoiou sua decisão e garantiu que faria o possível para realizá-la. Dedicada, não demonstrou insatisfação por acompanhá-la nos nascimentos, que aconteceram à noite. ''Ela foi muito profissional'', elogiou.
Os partos foram tranquilos, com a presença do marido, do jeito que Paula planejou. ''Não teve a tensão do centro cirúrgico'', disse ela, que se recuperou rapidamente do nascimento dos filhos. ''Voltei a fazer ginástica um mês depois que o Gustavo nasceu. Se fosse cesárea, demoraria muito mais tempo'', contabilizou. (C.A.)





