Decisão da juíza abre polêmica
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de março de 1998
Carmem Murara 
Desde o início do julgamento de Celina e Beatriz Abagge, os veículos de imprensa foram orientados a não divulgar detalhes dos depoimentos delas. A orientação partiu da juíza de São José dos Pinhais, Marcelise Lorite. Ela proibiu a divulgação dos detalhes como alternativa para não comprometer a imparcialidade dos depoimentos das 33 testemunhas arroladas no processo. Jornais, TVs e rádios que descumprirem o acordo estão sujeitos a processos judiciais.
A decisão de limitar os trabalhos da imprensa foi tomada assim que defesa e acusação do caso Abagge concordaram em dispensar as testemunhas. Ao contrário dos jurados, que são mantidos incomunicáveis enquanto durar o julgamento, as testemunhas puderam ir para casa e trabalhar normalmente até serem chamadas, possivelmente nesta quarta-feira.
A dispensa foi determinada devido ao elevado número de testemunhas e aos cargos que muitas ocupam. Entre os que vão depor no caso estão promotores públicos, médicos legistas e moradores de outras cidades como Foz do Iguaçu e Guaratuba. A juíza entendeu que não poderia afastá-las de suas profissões por tantos dias.
O problema é que, em casa, elas poderiam ter acesso a detalhes dos depoimentos de Celina e Beatriz Abagge como por exemplo, lugares e horários em que estavam na hora do crime. Não podemos correr o risco de ter um julgamento comprometido por uma informação divulgada pela imprensa, declarou a juíza, em uma reunião com jornalistas. Todos os que estavam presentes concordaram em não divulgar detalhes dos depoimentos que pudessem comprometer o andamento do caso.


