Decepção para moradores do Jardim Primavera
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quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Recém casados, Bruno e Marina só queriam curtir a casa própria. Mas um golpe do destino transformou em dura realidade o sonho do contador Bruno Cesar de Almeida e da dona de casa Marina da Silva, moradores do Jardim Primavera, Zona Norte de Londrina. A residência, financiada pela Caixa Econômica Federal, começou a desmoronar antes mesmo de a família mudar-se para o número 31 da Rua Paulo Guijarra.
''Quando vim dar um jeito na casa para a mudança, encontrei tudo enlameado. Descobri que minava água do rejunte do piso do meu quarto e as paredes estavam cheias de infiltração'', recordou Marina, que só então percebeu que não há muro para separar o terreno da casa vizinha. ''Não posso nem ter varal pois não dá para furar a parede do quarto do vizinho.''
Segundo Bruno, o casal comprou a residência há apenas um ano e meio e não percebeu as irregularidades da construção: além da infiltração, o madeiramento do telhado está entortando e a única fossa séptica permanece lotada.
''Já mandamos limpar duas vezes e há uma semana estamos tomando banho e usando o banheiro na casa de um tio, que mora na rua de trás'', comentou o contador. ''Ao trocar a lâmpada da cozinha, descobri que eles usaram uma sacola plástica no lugar da fita isolante'', completou Bruno.
''Procuramos o construtor e as exatas palavras dele para mim foram: Não tenho mais casa na Rua Paulo Guijarra'', relembrou Marina. Segundo ela, o construtor refez a parede do vizinho e desde então não entrou mais lama no quarto do casal, ''mas a água continua inundando a casa quando chove'', disse.
Outro problema que preocupa o casal é o fato de a construtora ter vendido uma parte do terreno para a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), ao preço de R$ 3 mil o lote. ''Depois das 18 horas ninguém mais faz entrega aqui porque pensa que moramos nas casas populares, quando estamos na zona residencial'', declarou Marina.
Segundo Bruno, a construção do conjunto habitacional desvalorizou em 30% as casas do bairro. ''O terreno custava R$ 15 mil. Financiamos a casa em R$ 37,5 mil, mas se pedirmos R$ 25 mil, ninguém dá.''
Outras 60 casas do Jardim Primavera não têm esgoto e apresentam rachaduras nas paredes. Em algumas, a água que sai dos chuveiros e da pia desemboca nos bueiros, que estão entupidos. Conforme Bruno, as residências foram construídas por um especulador que adquiriu as terras da antiga Fazenda Primavera e as revendeu para uma construtora, em troca dos terrenos.
''Ele não tem empresa constituída e construiu no nome de familiares. Somente as casas feitas por ele não têm esgoto nem muro. O restante das residências do bairro têm saneamento básico'', reforçou o contador, que em parceria com os demais moradores, preparou três abaixo-assinados que serão encaminhados ao Ministério Público, Sanepar e Caixa Econômica Federal.


