DECADÊNCIA - No 'centro' dos problemas
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Todas as manhãs, Paulo abre a loja de livros onde trabalha e, olhando de dentro para fora, a primeira coisa que observa é a Praça Marechal Floriano Peixoto, no Centro de Londrina. Ele vê um punhado de gente passando apressada e, vez ou outra, alguém dormindo nos bancos. Percebe também que alguns se drogam fumando maconha logo cedo. ''Sem falar o cheiro que fica em dia de chuva, por causa das fezes das pombas. Dá vontade de fechar tudo e ir embora.''
A poucos quarteirões dali, Jorge também chega cedo ao trabalho. Ele é gari e limpa o Bosque. Costuma encontrar muitas folhas, bitucas de cigarro, sujeiras das pombas, papel higiênico, preservativos usados e até revistas pornográficas. ''Durante a noite, moço, logo já às 18 horas, não é difícil encontrar gente transando aqui no meio do mato. Depois sobra para a gente limpar no outro dia de manhã a sujeira que deixam'', revolta-se.
A bibliotecária Rosângela Rocha, que trabalha na Biblioteca Municipal de Londrina, também vive situações constrangedoras, de vez em quando. ''Já tivemos um casal homossexual transando no banheiro. Além de pessoas que marcam encontro aqui para passar droga.'' A solução foi colocar seguranças terceirizados, que acompanham a movimentação das pessoas dentro do prédio. ''Sem falar naquelas pessoas que vêm para ficar olhando as meninas e meninos, né?'', destaca.
As três situações apresentadas até aqui revelam o cotidiano de pessoas que vivem diariamente no Centro de Londrina. ''A sensação que dá é que a região do Calçadão está largada. Policial a gente mal vê, só agora no final do ano. Prostituição dia e noite. E lixo'', reclama a advogada e integrante da Associação dos Moradores, Proprietários e Usuários do Centro da Cidade de Londrina (ACL), Márcia Eiras.
Para ela, falta consciência aos moradores para ajudar em algumas questões, mas principalmente faltam ações do poder público. ''Agora vão instalar esse novo camelódromo. Isso vai ser uma bomba. Que banheiros essas pessoas vão usar? Por outro lado, quem mora por aqui deveria dar exemplo, pelo menos organizando o próprio lixo'', aponta.
A gestora do Londrina Convention e Visitors Bureau - entidade ligada à Associação Comercial e Industrial (Acil), que trabalha no fomento ao turismo de eventos -, Maitê Uhlmann, analisa que a insatisfação da população com a região central se reflete na imagem do município para o turista. ''Uma cidade que não é boa para a população, não será para o visitante'', ensina.
Ela afirma que a imagem pujante de Londrina acaba atraindo muitas pessoas do interior do Paraná e até de outros Estados. ''Isso aumentou o desemprego, que gera tudo isso que a gente vê no Centro. O mesmo acontece em grandes cidades, mas estudos já apontam que em Centros como o de São Paulo, que foi revitalizado, a marginalidade e a prostituição diminuíram'', garante.
O secretário de Obras de Londrina, Aloysio Crescentini de Freitas, reconhece as reclamações dos moradores e justifica que com o fim da greve dos servidores municipais, a manutenção do Centro será retomada. ''Os pisos e as grelhas soltas do Calçadão já estão sendo arrumadas. Vamos agora tentar retomar o projeto de revitalização e ampliação até a Avenida Mato Grosso'', assegura. Ele ressalta, entretanto, que os projetos também esbarram na captação de recursos. ''Isso é uma dificuldade que vai além das nossas vontades''.


