Curitiba - Acusações, divergências e nenhum resultado prático. Assim pode ser resumido o que ocorreu no encontro entre Fuad Faraj, promotor de defesa da saúde pública de Ponta Grossa, e o secretário estadual de Saúde, Cláudio Xavier, ontem à tarde, na Assembléia Legislativa. O objetivo era discutir as denúncias do Ministério Público (MP) de que haveria falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Estado.
Faraj apontou que 1.028 pessoas morreram devido à falta de leitos de UTI nas regiões de Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel entre outubro de 2004 e outubro deste ano. ''Em Ponta Grossa, a média de espera por um leito de UTI após solicitação é de 25 horas. Há casos de pessoas que têm que esperar dias para serem encaminhadas. Houve a situação de um paciente que aguardou dias e quando surgiu vaga não havia UTI móvel em condições para levá-lo'', disse o promotor.
Ele apontou também que a Central de Regulação de leitos negou informações ao MP. ''A Secretaria de Saúde não sabe o que ocorre com o paciente quando há uma solicitação de leito. Não sabe se o paciente sobreviveu, se ele teve sequelas em decorrência da demora para ser internado em UTI'', afirmou Faraj, que acusou o governo de não investir o percentual mínimo de 12% do orçamento em saúde.
Xavier, por sua vez, disse que o Estado tem atualmente sete UTIs móveis e que deve disponibilizar mais em breve. Também argumentou que o número de UTIs no Estado aumentou de 782 em 2002 para 1.051 em 2005. ''A foto e a declaração de uma pessoa no jornal não vão fazer a saúde pública avançar. Nós temos um planejamento e temos que ter responsabilidade'', afirmou o secretário.
A respeito do número de 1.028 mortes divulgado por Faraj, Xavier disse que os dados eram na verdade a quantia de solicitações de leitos, após as quais os pacientes faleceram, e que várias delas eram relativas aos mesmos pacientes. O secretário afirmou ainda que a Central de Regulação não negou informações ao MP e disse que o governo estadual considera investimentos em saúde a aplicação de recursos em ''medidas preventivas'' que não são compreendidas como gastos com saúde pública pela Emenda Constitucional 29, como saneamento básico. Xavier disse que o Estado tem uma carência de apenas 100 leitos de UTI. Faraj afirmou que há defasagem de 800 leitos.
No seu pronunciamento, o promotor respondeu de forma agressiva a críticas de integrantes do governo, que teriam dito que o MP que o promotor integrava seria o ''Ministério da Propaganda''. Ele classificou a Secretaria de Estado de Comunicação como ''o maior antro de corrupção do Estado do Paraná''.
''Não sou eu que compro editoriais de jornais para que falem bem de mim'', acusou. ''Quando a gente desliga a TV, esse governo acaba''. O secretário de Comunicação, Airton Pisseti, não quis comentar a declaração de Faraj.

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