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Mário César


ResíduosFoto inferior, embalagens de agrotóxicos que passaram por tríplice lavagem e ficam estocadas em tulhas: solução paliativa. Foto superior, embalagens jogadas no solo comprometem o equilíbrio ambientalQue destino dar às embalagens de agrotóxicos? Esta pergunta foi assunto para um debate realizado ontem no Fórum de Cambé que buscou levantar soluções para o problema do lixo tóxico. O debate reuniu produtores, técnicos e contou com a participação do prefeito José do Carmo Garcia (PMDB) e do promotor de Justiça Miguel Jorge Sogaiar.
Segundo o vice-presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Cambé, Ícaro Augusto Lagrotta, o problema existe há muito tempo e em grande quantidade. ‘‘O produtor tem de utilizar os produtos agrotóxicos para produzir, mas também precisa manter o ambiente limpo.’’
O chefe do escritório local da Emater, Luiz Arthur da Rosa, diz que não há um levantamento da quantidade de embalagens de agrotóxico que estão no ambiente. ‘‘Mas se considerarmos que o Paraná tem 350 mil propriedades rurais, e que cada uma destas utiliza no mínimo um produto por ano, são 350 mil embalagens’’, diz. Ele explica que as embalagens carregam resíduos de agrotóxicos que podem poluir o solo, os lençóis d‘água, rios, animais e o próprio homem.
No município de Cambé, segundo o presidente do Sindicato Rural, João Menoli, a maioria dos produtores está utilizando a técnica da tríplice lavagem das embalagens, que ficam estocadas em tulhas. Mas essa saída é paliativa, uma vez que já começa a faltar espaço para guardar tantas embalagens.
A produtora Gilvane Amano diz utilizar a técnica da tríplice lavagem e aplica em sua propriedade os conceitos da Qualidade Total e do 5-S (filosofia japonesa de organização) para guardar as embalagens. ‘‘Mas isso não elimina o problema, porque as embalagens continuam na propriedade’’, afirma. Ela diz que o produtor é quem acaba levando a culpa. ‘‘Quem deveria se responsabilizar é que está atrás do rótulo, as indústrias de agrotóxicos’’, afirma.
O chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Nelson Santos Pereira, concorda com a produtora dizendo que as indústrias é quem deveriam dar um destino seguro para as embalagens. ‘‘As embalagens são resíduos das indústrias que só estão no campo porque os produtor usa os produtos.’’ Pereira afirma que a lei proíbe a reutilização das embalagens.
Mesmo sendo apontadas como responsáveis pelo problema, as indústrias de agrotóxicos não estiveram representadas no debate. Segundo o promotor de Justiça Miguel Jorge Sogaiar, que organizou o evento, as indústrias ainda serão contactadas para dar um parecer sobre o problema.
Uma proposta que surgiu durante o debate já está sendo aplicada na região de Toledo. Segundo Pereira, o Governo do Estado instalou no município de Santa Terezinha de Itaipu um projeto-piloto de um pólo para recolher as embalagens que passam pela tríplice lavagem. O pólo, segundo Pereira, vai processar as embalagens para diminuir o volume e o material será enviado para uma indústria em Curitiba, que poderá transformá-los em conduítes de eletricidade e mourões plásticos para cercas. Através do projeto, o IAP já licenciou 20 localidades do Paraná para implantação de um pólo de recebimento de embalagens.
O prefeito de Cambé disse que a solução é boa, mas é preciso garantir que as embalagens terão uma destinação segura. ‘‘Construir um local para armazenar é só transferir o problema de lugar.’’
Pereira diz que o IAP tem um trabalho de fiscalização, mas o número de fiscais é insuficiente para atender toda a região. Os produtores que jogam embalagens em locais impróprios podem ser autuados. As multas variam de R$ 80,00 e R$ 800,00, dependendo do caso.

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