De volta para as casas de shows
Santo Antônio da Platina - Muitas das histórias de Buca viram causos famosos na cidade. O professor Renato Chagas conta que cresceu escutando histórias sobre o música Booker Pittman. "Tinha uma que ele parecia estar sério, tocando o sax, mas de repente foi desmontando no palco. Quando foram ver, estava com canudos tomando pinga em uma garrafa de Biotônico Fontoura". A zona também guarda muitas histórias, mas que poucos se atrevem em contá-las. Do lugar onde Buca mais gostava, Jayme Pinto e Ildevan Carneiro guardam boas lembranças. "O povo fala mal das mulheres, mas naquele tempo elas pagavam certinho", defendeu Ildevan. "Nós tocamos muito na zona, era onde tinha o movimento na época. O cachê era garantido", continuou Jayme.
Nos anos seguintes, com o fim da Era do Rádio e o surgimento da Jovem Guarda, as orquestras enfraqueceram. "Depois que apareceu Roberto Carlos, aquele negócio de deixar cabelo crescer, aquela frescura toda, aí acabou com tudo ", criticou Ildevan.
Enquanto em São Paulo, a Passeata contra a Guitarra Elétrica reunia os conservadores patriotas em junho de 1967, Ildevan fazia sua guerra particular contra os conjuntos de cabeludos no Norte Pioneiro. "A gente resistiu até onde deu, depois tivemos que aceitar as mudanças e formamos pequenos conjuntos, mas com violão elétrico, sem guitarra".
Com o fim das orquestras, chegou a hora de Buca partir. "Ele morava comigo, mas já não tinha serviço. O que eu faria com ele? Foi aí que o indiquei para um francês que tinha uma boate em São Paulo. Ele voltou para as grandes casas de show para recuperar o status de melhor sax soprano do mundo", disse Jayme. (C.F.)
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