‘‘Fico muito contente em ver que a USP está voltando a cumprir o seu papel’’, diz o diretor da rede de cursinhos comunitários Educafro, que atende apenas alunos carentes, frei David dos Santos. O objetivo central da criação da USP, em 1934, foi justamente o de formar professores para o ensino público. Prova disso é que a primeira unidade da foi a Faculdade de Filosofia.
Atualmente, professores e alunos das escolas públicas estão cada vez mais distantes da Cidade Universitária. No ano passado, por exemplo, apenas 46.455 dos 144 mil candidatos inscritos no vestibular da Fuvest vinham da rede estadual de educação. E ainda é raro ver esses estudantes em cadeiras de medicina, engenharia ou administração de empresas. ‘‘Eles só conseguem vagas em cursos de pouca concorrência, cujos profissionais formados são mal-remunerados e nos quais a USP investe menos’’, diz Santos.
Ele é um defensores do polêmico sistema de cotas nas universidades públicas para alunos da escolas estaduais e municipais, negros ou índios. A idéia, que já foi aplicada em universidades americanas, é a de separar uma porcentagem das vagas para esses estudantes. O projeto de capacitação de professores pode ser também uma tentativa de ‘‘livrar’’ a USP de ter de seguir esse sistema. ‘‘Não é esse favor que faremos a eles. Melhorar a educação no ensino médio é uma ação muito mais afirmativa socialmente e mais consistente’’, diz a pró-reitora de graduação.

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