De servidor público a cantor sertanejo
Depois de trabalhar 30 anos no departamento de suprimentos de uma empresa estatal, Hélio Demiciano, de 55 anos, vislumbrou na aposentadoria a liberdade para fazer o que quisesse. ''Foram quatro anos até que efetivamente o pedido de aposentadoria saísse. Por isso, não foi uma ruptura tão brusca. Mas o dia seguinte foi muito estranho, pelo fato de não precisar trabalhar mais. Mesmo assim, me preparei para esse momento fazendo planos para o futuro'', lembra.
Desde então, já se passaram três anos. No entanto, ao contrário do descanso que a aposentadoria proporcionaria, foram anos de trabalho. O antigo sonho de cuidar de uma chácara e ter uma caminhonete foram adiados para dar lugar a uma nova empreitada: se tornar cantor de uma dupla sertaneja. ''Já cantava com meu parceiro há anos, antes mesmo de me aposentar. Só que eram apresentações informais, sem nenhuma pretensão.''
Foi quando uma empresa, ao conhecer o trabalho da dupla, mostrou-se interessada em patrocinar a gravação de um CD, dando visibilidade à dupla Hélio & Borim. ''Era um desejo antigo, mas nunca tinha pensado nisso como uma profissão. Definitivamente, a aposentadoria veio a calhar, pois pude me dedicar exclusivamente ao projeto. Depois disso nosso trabalho começou a ficar conhecido e hoje fazemos várias apresentações'', conta.
Além dos shows, todas as segundas-feiras eles tocam em uma associação fundada por amantes da música sertaneja de raiz. ''Não me vejo fazendo outra coisa, mesmo que o objetivo inicial tenha mudado um pouco. Hoje, apesar de cantar ter se tornado uma obrigação, no sentido de trabalho, é uma obrigação prazerosa. É uma mistura de lazer com responsabilidade. Esse é o lado bom da aposentadoria: ter liberdade para fazer o que se quer e ter a disponibilidade para isso.'' (M.T.)





