De rota de pedestres a fonte de problemas
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terça-feira, 04 de dezembro de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
As vielas em Londrina foram projetadas para servir de atalho para pedestres em quadras muito extensas. Porém, com o passar do tempo e o aumento da violência, muitos desses espaços se tornaram abrigo para assaltantes, depósito de lixo e até ponto de prostituição. Há dois anos algumas dessas passagens foram fechadas por grades, mas várias outras permanecem abertas e os moradores estão à espera de solução.
A situação da viela localizada entre a Rua Adulcino José Jordão e a Avenida Brasília (BR-369), no Jardim do Sol (zona oeste), é preocupante. O espaço está tomado pelo mato, por lixo e por animais em decomposição. A reportagem da FOLHA encontrou bichos mortos, um televisor de 29 polegadas quebrado, pedaços de madeira, garrafas plásticas, roupas usadas e calçados.
O estofador de móveis Dênis Souza trabalha ao lado da viela e reclamou que os próprios moradores da região não colaboram, ao jogar lixo no espaço. ''Também existem carroceiros que descarregam entulho aqui'', criticou. Souza destacou que não basta limpar o local, mas reformar a passagem.
No mesmo bairro, na Rua Saturno, uma moradora que pediu para não ser identificada relatou que já foi três vezes à prefeitura acompanhada por vizinhos solicitar a compra da viela ao lado de sua casa. ''A prefeitura já abriu um precedente no Jardim Shangri-lá, mas por aqui não querem deixar fazer o mesmo'', argumentou. Ela reclamou que sempre há o risco de furto e assaltos. Bandidos já entraram no seu quintal e levaram bicicletas, pares de tênis e um tapete. ''O estrago só não foi maior porque ao tentarem invadir a minha casa o alarme tocou'', reclamou.
Alta velocidade
No Parque Alvorada, também localizado na zona oeste, um dos problemas é a falta de educação de alguns condutores de veículos. O artesão Wanderlei Teodoro e a advogada Marisa Carneiro reclamaram que a viela localizada entre as ruas Bauru e Campinas é utilizada pelos motociclistas. ''Eles cortam o caminho por aqui e acabam assustando os pedestres, pois passam em alta velocidade'', informou Marisa.
O problema das motocicletas é observado também na passagem entre as ruas Campinas e Rua Araçatuba, onde o fluxo se intensifica à noite, segundo um estudante de 16 anos. ''A solução seria fechar a viela, mas deixando uma porta para que pudéssemos passar'', solicitou.
Fechar o acesso desses espaços foi a solução encontrada pelos moradores do Jardim Shangri-lá, também na zona oeste. Em todo o bairro havia 16 vielas, sendo que quatro foram adquiridas por particulares e 12 fechadas com grades retiradas do Bosque Marechal Cândido Rondon. Os moradores e empresas da cidade auxiliaram doando cimento e arame farpado. Uma moradora da Rua Ruy Barbosa, Andréa Santos, disse que a situação melhorou muito com o bloqueio. ''Antes de fecharem essa viela, minha casa foi invadida duas vezes por ladrões'', informou Andréa. Segundo os moradores, na região também havia muita prostituição e as vielas eram usadas como sanitários improvisados.
A presidente do Conselho de Segurança de Londrina, Gabriela Fontoura, afirmou que a comunidade de cada bairro tem uma necessidade e nem sempre o fechamento de uma viela é algo desejado por todos. Ela exemplificou dizendo que no ano passado uma viela do Jardim São Francisco de Assis (zona oeste) foi adquirida por uma empresa e bloqueada contra a vontade de muitos moradores. Segundo ela, antes do fechamento das vielas do Shangri-lá, houve consulta aos moradores e a coleta de 2.032 assinaturas. ''Tem que haver bom senso. É preciso conversar e discutir com todos'', orientou.


