De 'rebelde' a grafiteiro
O grafiteiro e tatuador Tadeu Roberto Fernandes de Lima Junior, de 31 anos, conhecido como Carão, é um ex-pichador que aprendeu a arte do grafite em uma oficina financiada pela Secretaria de Cultura de Londrina. Ele contou que nasceu e foi criado no Conjunto João Paz (zona norte) e que a pichação era a forma que havia encontrado para se expressar. ''Eu não me ligava à questão do ato de vandalizar, mas queria encontrar uma maneira de falar e de ser ouvido'', relatou.
Durante a adolescência, relembrou, havia uma rivalidade entre gangues dos conjuntos João Paz e Semíramis e a pichação era um ato de ousadia. ''A gente tentava pichar o bairro deles, invadir seu território. Nunca aconteceu nada comigo, no máximo levei um golpe de skate nas costas'', recordou. Sua vida como pichador durou dois anos, dos 15 aos 17 anos, e logo aprendeu a grafitar.
Segundo Carão, os autores da pichação na agência bancária no centro de Londrina são considerados ''bafos''. ''São pichadores sem noção do que fazem e que estão mais para vandalizar do que para passar uma mensagem. Eles fazem as pinturas no 'rodapé' (na altura do corpo) e não procuram os 'picos' (lugares mais altos e difíceis)'', explicou.
Sobre qual conselho daria para esses jovens pichadores, Carão ressaltou: ''As pessoas precisam evoluir e, ao mesmo tempo, respeitar a cidade''. Ele informou que fatura uma média mensal de R$ 4 mil com os seus grafites e telas e R$ 5 mil como tatuador.''Antes eu era mais um na multidão e hoje ganho um dinheiro honesto'', declarou Carão, que é finalista de um dos maiores prêmios do grafite paranaense. Além disso, ele já lançou DVDs de grafite e realizou várias exposições. ''Hoje vivo exclusivamente de fazer a minha arte.'' (V.O.)





