De queijo fresco a colchão
Na esquina da Avenida Paraná com a Rua Curitiba, no Distrito de Guaravera, o movimento de clientes não para. Com a fachada reformada, a Casa Ribeiro vista de fora parece até um supermercado, mas no lado de dentro o armazém continua do mesmo jeito há cerca de 40 anos.
A família de proprietários é descendente de portugueses e trocou a residência no interior de São Paulo em busca de oportunidade no Paraná. ''Viemos na década de 70 a convite de parentes que tinham um comércio de secos e molhados e precisavam de gente para trabalhar. Com o tempo, assumimos o negócio e acabamos sendo um dos primeiros a ter este tipo de venda aqui'', lembra Maria Inez Ribeiro, 67 anos, que veio com o marido José, falecido há três anos, e seis filhos.
Nas prateleiras de madeira desgastadas pelo tempo, é possível encontrar desde vasos de cerâmica até botinas de couro. Tem também ração para cachorro, queijo fresco e colchão de espuma. Em cada canto é possível encontrar algo para casa. ''Nessa época vendemos bastante material escolar'', comenta Mario Leonel de Oliveira, de 58 anos, funcionário há 35.
Com o preço de todos os produtos na cabeça, ele cita que o lampião à querosene e as ratoeiras são mercadorias antigas, vendidas até hoje. E na hora de embalar as compras, mostra habilidade no embrulho feito com jornal e barbante. ''A gente usa sacola, mas tem coisas que ainda são embaladas no papel, como antigamente'', afirma.
Atualmente, o comércio é mantido pelos irmãos Beto e Cristina, que contam com a ajuda de cinco funcionários, pois o atendimento continua sendo feito no balcão. ''Até hoje, aqui funciona com lista e tem gente que ainda faz compra do mês'', conta Cristina, que nunca pensou em mudar. ''É um jeito antigo de vender, mas que dá certo aqui porque é uma cidade pequena'', justifica. (M.O.)





