A estudante Etienne Duim, de 18 anos, vai votar pela primeira vez em 2006 e já nutre a mesma desconfiança com as promessas e propostas da classe política dos eleitores mais experientes. Para não ser enganada ''pela lábia deles'', ela conta que acompanha o noticiário político continuamente porque ''o período de campanha é o pior de todos para escolher o candidato. Neste momento são todos bonzinhos e só dizem coisas bonitas, mas que nunca saem do papel''.
A estudante concorda que a decepção desestimula os eleitores, mas disse que faz questão de votar porque não há outra alternativa. ''Se a gente anula o voto, deixa as coisas ainda mais à mercê dos políticos, que se aproveitam das pessoas mais frágeis. Devemos usar este momento e escolher os menos ruins. Tenho grande esperança de que surja uma nova geração de administradores''.
Na outra ponta da escala etária dos eleitores brasileiros, está o militar aposentado Lourival Barbosa, de 46 anos, que também não vê os atuais dirigentes como ''pessoas de confiança''. Barbosa se diz ''amargamente arrependido'' de seu último voto para presidente e ironizou sobre os critérios de sua próxima escolha. ''No primeiro turno já tenho definido, mas como o candidato não deve passar para o segundo, acho que vou fazer um sorteio entre os nomes''.
Outro fator de desesperança para ele é o fato de que ''não há mudanças em curso. A gente não vê nada acontecendo de fato, porque, quanto pior a situação para nós, melhor para eles. Se houver alguma mudança neste País, será a longo prazo''. Ao contrário dos acadêmicos ouvidos pela reportagem, o aposentado aposta num recorde de votos brancos e nulos nas eleições deste ano.
O contabilista londrinense Adoniro Prieto Mathias, 54, também acredita que a abstenção deve crescer, mas faz um chamado à população para que não se exima da escolha. ''Para ser sincero, eu mesmo tenho vontade de anular o voto, mas não consigo. A omissão faz do País isso que vemos hoje''.
Para tentar explicar como vê a relação entre político e eleitor, Prieto Mathias recorre a uma analogia com a vida nas selvas.''Os cidadãos são como os elefantes, que não têm idéia de sua própria força. Por isso, o leão, com seu rugido, reina na floresta, e assim são os políticos em nossa sociedade''.(F.C.)

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