De olho nos possantes
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terça-feira, 04 de agosto de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Se de longe eles chamam a atenção, imagine de perto. O fascínio pelos carros antigos, consideradas verdadeiras joias por colecionadores, pode ser visto facilmente nos olhos de quem passa pela exposição no piso térreo do Shopping Boulevard, em Londrina. Desde o último domingo, um Ford Fairlane 1959, um Fusca 1600 de quatro portas ano 1969, um Jeep Chrysler usado na 2ª Guerra Mundial e um Opel Kadett 1968 podem ser vistos no espaço. A mostra segue até o próximo dia 16 de agosto. Também está em exposição uma Harley Davidson 1998, lançada na edição comemorativa de 95 anos da marca. Todos estão emplacados e em plenas condições de pegar a estrada.
Cada um dos possantes guarda uma história particular. O Fairlane branco, por exemplo, pertenceu à família Godoy, que manteve a área chamada hoje de Parque Estadual Mata dos Godoy. O carro foi adquirido nos Estados Unidos e chegou ao Brasil de navio, junto com um modelo na cor preta. Todas as peças utilizadas na restauração também vieram daquele país. Terceiro dono desta raridade, o advogado Carlos Roberto Ferreira comprou o veículo há cinco anos e o tem entre seus xodós. "É bem difícil ver este carro no Brasil. Fico satisfeito de comprar um carro que foi de uma família que fez parte da história de Londrina. Isso também me faz fazer parte desta história", define.
Mas não é só o Fairlane que Ferreira tem de carro antigo. A paixão dele pelos carangos começou com a aquisição de um caminhão GMC 1949. Daí em diante, vieram outras dezenas de modelos de carros e utilitários. Os veículos ficam todos guardados em um barracão mantido pelo advogado. "Não compro por ostentação, mas por prazer mesmo", comenta. Sempre que pode, Ferreira dá uma voltinha pela cidade com um dos seus carros antigos. A compra do próximo modelo ainda não está programada. "Não planejo. As coisas vão acontecendo. Quando observo algo que gosto, tento comprar", diz.
De propriedade de Lúcio Flávio Santos, o Jeep Chrysler 1942 modelo WC 52 foi encontrado na floresta amazônica abandonado, depois de ser utilizado na 2ª Guerra Mundial. Ganhou do Exército o apelido de "pata choca" e chama a atenção principalmente das crianças que passam pelo térreo do Boulevard. "Quero um desses", dizia a pequena Lívia, filha do programador Adriano Zancheti, de 39 anos, no domingo. Admirador de carros antigos, ele diz ser difícil encontrar veículos de longa data em tão bom estado. "Assim, tão bem cuidado, não tinha visto", assinala.
A auxiliar administrativo Sara Santana aproveitou a exposição para fazer fotos dos modelos. "Acho muito legal esses carros porque nos dão ideia de como era a época em que foram lançados", comenta. "É raro ver esses modelos na rua", completa o metalúrgico Ronaldo Godoy. Ele também coleciona carros antigos, mas em miniatura.
Organizador da mostra, Hamilton Bischof, do Garagem Motors, explica que esta é a primeira vez que a exposição é feita no shopping. Em contrapartida, todos os primeiros domingos do mês acontece no estacionamento do Boulevard a "Confraria do Hot". O evento, que estreou no fim de semana, reúne motos e carros antigos e customizados. No domingo passado, a feira atraiu cerca de 4 mil pessoas, entre colecionadores, visitantes e entusiastas do universo das garagens. "Tivemos Fuscas, Porsches, Pumas, Caravans, Ford Customs 1929, diversos modelos", relata.
A participação na feira é gratuita. Os carros precisam ter pelo menos 20 anos, já as motos podem ser mais novas. É normal, conforme Bischof, que quem visite uma das confrarias fique tão admirado que até procure um carro antigo para chamar de seu. "Tem gente que no mês seguinte já está com um carro antigo. A pessoa compra e vai arrumando aos poucos", conta.
A confraria reúne ainda apresentações musicais e um "mercado de pulgas", onde é possível encontrar peças e acessórios vintage. A próxima edição será no dia 6 de setembro, das 9h às 14 horas.


