De olho no primeiro emprego
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sexta-feira, 20 de junho de 2003
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Um projeto colocado em prática ontem pretende proporcionar a jovens da zona norte de Londrina uma chance de acesso ao mercado de trabalho. Chamado de Projeto Capa-citar, a iniciativa busca, através da oferta de sete cursos profissionalizantes, a inserção social dos jovens maiores de 16 anos da região, que conta com uma população de 160 mil pessoas sendo 90 mil portadoras de título de eleitor.
Ontem à tarde, no Conjunto Semíramis, foi dada a primeira aula do curso para formação de garçom ministrada pelo profissional Vagner Assis Martins, com oito anos de experiência. Os colegas Karine Aparecida Spuri Batista, 23 anos, e Alexandre Soares dos Santos, 20 anos, estão otimistas com a oportunidade. Karine terminou o ensino médio, iniciou o curso de química na Universidade Estadual de Londrina (UEL), mas teve que abandonar o sonho depois que perdeu o emprego de secretária. Desempregada há seis meses, ela não tinha mais condições financeiras de arcar com os custos da graduação.
Soube do curso para garçom e sentiu-se atraída por algumas razões: é próximo à sua casa e, portanto, não precisa gastar com ônibus; graças à parceria e apoio de empresas e pessoas físicas, ela não paga nada para freqüentar as aulas; e ainda tem oportunidade de fazer um estágio e conseguir uma colocação logo que cumprir a carga horária de 30 horas.
Alexandre já trabalha como garçom numa pizzaria na zona sul e viu no curso uma chance de aprimorar seus conhecimentos e melhorar seus ganhos. Com o curso, a valorização é maior, comemora o rapaz. Ele não tinha experiência na função e conseguiu o emprego graças à indicação de um amigo.
Eram justamente pessoas com este perfil que os idealizadores do projeto, Gerson Lelis e Wagmara Ricardo, pretendiam atingir. Sabendo das limitações financeiras destes jovens, para viabilizar o projeto os dois buscaram o apoio de pessoas físicas e empresários que estivessem dispostos a adotar um aluno ao custo de R$ 20,00 por curso, independente da carga horária. Empresas que se sensibilizaram com o projeto também se comprometeram em dar um suporte após a conclusão dos cursos, oferecendo estágios e chances reais de trabalho. Queríamos justamente trazer esse tipo de oportunidade para os jovens dessa região, destacou Wagmara. É uma maneira de resgatar a dignidade dessas pessoas, completou Lelis.
Os cursos oferecidos são: garçom, babá, manicure, auxiliar doméstica, porteiro, excelência em atendimento e técnico em vendas. Além da grade específica de cada profissão, os alunos do Projeto Capa-citar também terão aulas de toxicologia e relações humanas, uma forma de obter conhecimentos mais aprofundados sobre o problema das drogas e como tratá-lo de forma franca. Mais de 300 jovens já se inscreveram e os interessados em obter mais informações ou em ajudar no projeto podem ligar para o telefone (43) 3356-2181.


