Um projeto colocado em prática ontem pretende proporcionar a jovens da zona norte de Londrina uma chance de acesso ao mercado de trabalho. Chamado de ‘‘Projeto Capa-citar’’, a iniciativa busca, através da oferta de sete cursos profissionalizantes, a inserção social dos jovens maiores de 16 anos da região, que conta com uma população de 160 mil pessoas – sendo 90 mil portadoras de título de eleitor.
  Ontem à tarde, no Conjunto Semíramis, foi dada a primeira aula do curso para formação de garçom ministrada pelo profissional Vagner Assis Martins, com oito anos de experiência. Os colegas Karine Aparecida Spuri Batista, 23 anos, e Alexandre Soares dos Santos, 20 anos, estão otimistas com a oportunidade. Karine terminou o ensino médio, iniciou o curso de química na Universidade Estadual de Londrina (UEL), mas teve que abandonar o sonho depois que perdeu o emprego de secretária. Desempregada há seis meses, ela não tinha mais condições financeiras de arcar com os custos da graduação.
  Soube do curso para garçom e sentiu-se atraída por algumas razões: é próximo à sua casa e, portanto, não precisa gastar com ônibus; graças à parceria e apoio de empresas e pessoas físicas, ela não paga nada para freqüentar as aulas; e ainda tem oportunidade de fazer um estágio e conseguir uma colocação logo que cumprir a carga horária de 30 horas.
  Alexandre já trabalha como garçom numa pizzaria na zona sul e viu no curso uma chance de aprimorar seus conhecimentos e melhorar seus ganhos. ‘‘Com o curso, a valorização é maior’’, comemora o rapaz. Ele não tinha experiência na função e conseguiu o emprego graças à indicação de um amigo.
  Eram justamente pessoas com este perfil que os idealizadores do projeto, Gerson Lelis e Wagmara Ricardo, pretendiam atingir. Sabendo das limitações financeiras destes jovens, para viabilizar o projeto os dois buscaram o apoio de pessoas físicas e empresários que estivessem dispostos a adotar um aluno ao custo de R$ 20,00 por curso, independente da carga horária. Empresas que se sensibilizaram com o projeto também se comprometeram em dar um suporte após a conclusão dos cursos, oferecendo estágios e chances reais de trabalho. ‘‘Queríamos justamente trazer esse tipo de oportunidade para os jovens dessa região’’, destacou Wagmara. ‘‘É uma maneira de resgatar a dignidade dessas pessoas’’, completou Lelis.
  Os cursos oferecidos são: garçom, babá, manicure, auxiliar doméstica, porteiro, excelência em atendimento e técnico em vendas. Além da grade específica de cada profissão, os alunos do ‘‘Projeto Capa-citar’’ também terão aulas de toxicologia e relações humanas, uma forma de obter conhecimentos mais aprofundados sobre o problema das drogas e como tratá-lo de forma franca. Mais de 300 jovens já se inscreveram e os interessados em obter mais informações ou em ajudar no projeto podem ligar para o telefone (43) 3356-2181.

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