Londrina - O cenário epidemiológico de Londrina foi discutido ontem de manhã pelo Comitê Intersetorial de Combate à Dengue. Além de apresentar os resultados da ação emergencial realizada na última semana, o encontro foi marcado pelo planejamento das ações do próximo semestre.
Por ser uma conversa inicial, ainda não há novidades quanto a novos moldes de combate ao mosquito Aedes aegypti, a não ser os já conhecidos mutirões, atividades educacionais e de campo. "Nós, enquanto serviços públicos, realizamos ações durante todo o ano e agora temos que pensar em ações para o próximo semestre. Para isso, pedimos para que a população não relaxe", comenta Sandra Caldeira, gerente da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde.
De acordo com ela, o clima do inverno e o mutirão de limpeza, realizado de 26 de maio a 4 de junho, favoreceram para um leve declínio no risco de epidemia. "O maior número de casos sempre se concentra em Londrina nos meses de abril e maio e por isso as ações são intensificadas nesse período", salienta.
Na primeira semana de maio, o setor identificou o pico das notificações, quando foram registrados 387 casos. Agora, as notificações são em média, 127 a cada novo boletim, gerado a cada sete dias. Desde o início do ano, só no município já são 4.842 notificações da doença, 1.094 confirmações e um óbito na região do Cafezal (zona sul). Há que se considerar ainda que 1.612 exames aguardam resultados.
"Estamos agora sob um controle maior. Nossa preocupação era bloquear o avanço dos números de notificações e, consequentemente, de casos positivos", afirma o secretário municipal de Saúde, Mohamad El Kadri. Ele observa que. ao contrário dos anos anteriores, dessa vez não houve uma região mais crítica. "A dengue foi pulverizada por toda a cidade", cita.
Para conter a proliferação do mosquito, nos últimos 10 dias cerca de 640 pessoas formaram o "apoio operacional" do mutirão. Juntos, recolheram 609 toneladas de possíveis criadouros. Todo esse volume, que é suficiente para encher 203 caminhões, foi retirado apenas de terrenos particulares e quintais de residências.
Segundo o coordenador de Endemias, Nino Ribas, neste período foram atendidos 131.809 imóveis de 152 bairros. No mês de maio, outros 19.609 imóveis de 19 bairros já haviam sido vistoriados. A programação inicial do mutirão era atender 174 mil residências, mas 24% seguem em pendência por estarem fechados.
"Agora, os agentes darão início ao tratamento, visitando esses imóveis. Na zona leste, região do Armindo Guazzi, houve uma grande quantidade de possíveis criadouros e lá serão intensificadas as ações educativas nas escolas, além do trabalho rotineiro de orientação à comunidade, casa a casa", explica Ribas, acrescentando que de cada 10 imóveis vistoriados seis apresentavam potenciais criadouros.

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