De mocós a depósitos de lixo
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terça-feira, 01 de outubro de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Desde 2011, quando a Prefeitura de Londrina desapropriou seis postos de combustíveis em diferentes pontos da cidade, comerciantes e moradores nas proximidades tiveram que se adaptar a uma rotina de transtornos. Em pouco tempo, os locais se tornaram alvos de usuários de drogas e hoje, dois anos depois, o problema permanece, porém somado ao acúmulo de lixo.
"Primeiro virou um mocó. Daí, destruíram a estrutura e melhorou um pouco. Eu gostaria que voltasse a funcionar um posto porque, mesmo com a demolição, tem gente que ainda dorme ali", conta o comerciante Julio Horácio Villegas, apontando para uma tubulação de concreto em um posto desativado na Avenida Leste-Oeste, região central.
No local, há carros estacionados durante o horário comercial, mas o lixo e o perigo são constantes, pois há buracos onde eram instaladas as bombas de combustíveis e muitas pessoas aproveitam para jogar restos de construção e até materiais recicláveis.
Ao avançar em direção ao centro, é possível encontrar outro posto desativado na avenida. O polidor Robson Camargo que passa pelo local três vezes na semana diz que o lugar gera insegurança pela presença de estranhos. "Ficou mais escuro e à noite sempre tem movimento suspeito. Acho que esse terreno deveria ser reutilizado logo. O ideal é que fosse em prol da comunidade, como um posto de saúde ou até uma creche", comenta. No terreno é possível encontrar até sapatos velhos e pedaços de roupas.
A mesma cena se repete na Avenida Winston Churchill, na zona norte. O posto desativado se transformou em um estacionamento e em um verdadeiro depósito de entulhos. Entre telhas e tijolos, há muitos vidros quebrados e até pneus com água acumulada. "Desde que desapropriaram é muito frequentado por usuários de drogas, que começaram até a roubar parte da estrutura", lembra o comerciante Mário Emílio Ribeiro.
Outro comerciante, Daniel Sávio Dalcol, se incomoda com o montante de entulho e afirma que à noite o local continua sendo frequentado por estranhos. "Olha a situação que está. Cheio de lixo, completamento abandonado. Não tem como não se sentir inseguro. O certo seria achar uma solução rápida para este terreno", reclama.
A sensação de insegurança também é relatada pela dona de casa Silmara Mello, que mora próximo ao posto desativado na Avenida Dez de Dezembro, a poucos metros do 4º Distrito Policial. "Evito passar por ali porque a gente é sempre abordado por um morador de rua ou alguém em atitude suspeita. Nos finais de semana piora porque o pessoal para os carros, liga o som alto e fica bebendo. É uma dor de cabeça", conta. Apesar da estrutura estar preservada, há pichações por todos os lados.
Na mesma avenida, mas ao lado do Terminal Rodoviário, a estrutura recebeu um alambrado há menos de um ano, após a população reclamar da apropriação do local por usuários de drogas, principalmente o crack. Porém, mesmo com a medida, é possível encontrar, a qualquer hora do dia, homens e mulheres dormindo ao redor do cercado ou até mesmo consumindo droga. "Mesmo com o alambrado, ainda junta muito noiado. Para mim não faz diferença se for outro posto ou uma sede do Samu. O importante é não manter esse terreno desativado, sem uso", afirma o comerciante Ademir Manoel. No posto que ficava em frente ao Aeroporto, o terreno já foi utilizado para a ampliação do estacionamento de passageiros.


