De mensageiro na guerra a carteiro em Londrina
Quando chegou a época do alistamento, Américo de Souza Castro, trabalhador da roça em Ibiporã (Norte) se dirigiu a Londrina para se apresentar à Junta Militar que funcionava no escritório da Companhia de Terras Norte do Paraná. Não imaginava que dali a pouco tempo estaria lutando na trincheiras da Segunda Guerra Mundial e participando da tomada de Monte Castelo.
Sofreu muito até chegar à batalha derradeira, enfrentando um verdeiro inferno na viagem de navio, junto de outros sete mil homens, que durou 16 dias entre o Brasil e a Itália. ''Eu viajei no porão, junto das máquinas, um calor infernal. Para todos comerem, a refeição tinha que ser servida de hora em hora para que cada um de nós conseguisse pegar um prato'', relata.
Mas a imagem que sobrevive mais forte na mente de Américo, hoje um tranquilo senhor de 90 anos, morador da Zona Leste de Londrina, se dá num cenário frio, de neve derretendo; é a de um alemão morto por um tiro, caído embaixo de uma árvore e com a boca ainda aberta. ''Ficou na minha cabeça'', destaca.
Ao contrário do colega José Soares Neto, Américo não ia para a linha de frente, mas nem por isso seu papel era menos importante ou perigoso. Era o mensageiro da tropa, encarregado de levar bilhetes com instruções dos comandantes para as tropas em combate. Andava sozinho, carregando também estoque de munição e de medicamentos para abastecer as tropas, além de seu próprio fuzil para se defender. ''A ordem que eu tinha era muito clara. Eu podia morrer, mas os alemães jamais podiam ler o bilhete que eu levava. Caso os encontrasse eu deveria engolir o papel imediatamente. Graças a Deus nunca os encontrei'', conta Américo.
Por ironia do destino, quando voltou para o Norte do Paraná, onde casou e constituiu família, arranjou emprego nos Correios, sendo carteiro por 25 anos. ''É engraçado, perguntam para mim se tenho pesadelos com a guerra. Eu não chego a ter pesadelos, mas sonho muito mais com meus outros serviços. Muitas vezes acordo achando que estou entregando cartas'', diverte-se.
Histórias como a dos pracinhas Américo e José hoje são utilizadas para motivar aqueles que atualmente são militares. Por isso, todas as organizações militares do país comemoram o dia 21 de fevereiro.
No 30º Batalhão de Infantaria Motorizado de Apucarana, que tem em sua área de jurisdição 32 pracinhas o evento aconteceu ontem, emocionando até o comandante do batalhão, tenente-coronel José Roberto Soares Paes. ''É algo que nos inspira, e muito, para o cumprimento da nossa missão'', destaca Soares Paes. (W.S.)





