Treinar abelhas para detectarem determinadas substâncias e assim atuarem como os cães farejadores pode parecer impossível para alguns, mas para o jovem Ephraim Luiz de Andrade França, de 15 anos, foi a oportunidade para desenvolver um projeto de pesquisa, que agora o levará a Londres, para onde viajará amanhã.
Aluno do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Interativa, em Londrina, Ephraim desenvolve o trabalho há quase dois anos. Depois de apresentá-lo na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada em São Paulo este ano, foi convidado a participar do London International Youth Science Forum (Liysf), considerado o maior fórum científico do mundo. O jovem será o único representante do Sul do Brasil.
Organizado pelo Imperial College London, em parceria com o British Council e outras instituições, o evento, organizado desde 1959, reúne jovens cientistas de mais de 50 países, que durante 14 dias participam de palestras e conferências com cientistas renomados, apresentação de trabalhos, demonstrações científicas, visitas a laboratórios, indústrias e museus científicos.
O professor de Biologia Fábio Luiz Ferreira Bruschi, orientador do projeto, explica que todos os alunos do colégio a partir da quinta série cumprem uma disciplina de iniciação científica. Foi nessa disciplina que o projeto com as abelhas surgiu. ''Os alunos vão para a graduação com mais visão sobre o que é a pesquisa científica e todos os anos surgem projetos interessantes'', explica.
''Vi sobre as abelhas em um documentário e resolvi, juntamente com um colega, pesquisar sobre isso, mas ao invés de usar as abelhas Europa optamos por abelhas nativas do Brasil, que não têm ferrão. Um pesquisador da UEL (Universidade Estadual de Londrina) nos cedeu uma colmeia da espécie Mandaguari, que mantemos aqui no colégio'', explica Ephraim.
O aluno conta que as abelhas são condicionadas, uma a uma, a identificar substâncias isoladas, como a acetona ou o álcool, por exemplo, usando o sistema de recompensa. ''Oferecemos o que ela deve localizar e logo em seguida um tipo de alimento. A vantagem de usar abelhas ao invés do cão é o custo mais reduzido, já que a colmeia é autossuficiente, o espaço que ocupa também é reduzido e principalmente o tempo. Ao contrário do animal, que leva meses para aprender, as abelhas são treinadas em apenas 10 minutos'', destaca.
Os custos da viagem de Ephraim serão pagos pelo Projeto Bom Aluno, que apoia estudantes de baixa renda, custeando a formação educacional e técnico-profissional. ''Até a sexta série estudei no Colégio Estadual Marcelino Champagnat e através do projeto consegui uma bolsa de estudos para o Interativa, já na sétima série.''
Para Londres, a expectativa é conhecer estudantes e projetos, além de algumas das melhores instituições de pesquisa do mundo. Depois da viagem, ele pretende continuar a pesquisa com as abelhas e se preparar para o vestibular de Zoologia, área que sempre gostou e quer continuar estudando. ''Sei que já tem um curso somente nesta área, mas também posso cursar Biologia e depois me especializar'', planeja.

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