De férias, estudantes visitam famílias pobres
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sábado, 12 de fevereiro de 2005
Jacira Werle<br> Reportagem Local 
A maioria dos estudantes aproveita as férias para descansar, rever amigos e parentes ou conhecer lugares diferentes. Mas os que participam das atividades do Centro Cultural Caravelas, ligado à agreja católica, aproveitaram os dias de carnaval para ministrar oficinas, dar dicas sobre nutrição e higiene, além de dedicar parte do tempo para conversar com moradores do município de Nova Londrina (110 quilômetros ao Norte de Paranavaí).
A estudante Ana Rafaela Saab, 15 anos, avalia que a experirência de conviver com uma realidade diferente da sua serve para ''aprender a dar valor a muitas coisas''. Ela relata que depois das viagens passou a valorizar menos problemas pouco relevantes. ''Quando tenho um problema lembro que ele não é tão importante e que existem outras pessoas passando por coisas piores'', afirma.
Para a estudante de enfermagem Juliana Macri, 21 anos, na viagem ela pôde aplicar os conhecimentos que está aprendendo na faculdade. Juliana conta que visitou um casal de idosos e que a mulher apresentava um ferimento na perna. ''Ensinei a senhora que cuidava do casal como se fazer um curativo. Me senti útil'', relata.
Mariana Bittencourt, 18 anos, ressalta que as pessoas pobres não precisam só de doações materiais. ''Muita gente acha que faz toda a caridade possível quando limpa o guarda-roupas e dá o que não quer mais. Nós gastamos nosso tempo dando atenção a essas pessoas carentes também de amor'', reforça. ''Ajudar é muito melhor quando a gente deixa de ser egoísta e consegue auxiliar os outros'', acrescenta Juliana.
Além de ajudar outras pessoas, as estudantes revelam que aprenderam a trabalhar em grupo, saber dividir e ter responsabilidades.
Roberta Miglioranza, estudante de Administração, ministrou uma oficina sobre atendimento ao cliente para os moradores de Nova Londrina. Ela conta que se surprendeu com as reações. ''Fiquei supresa porque pensei que iria falar apenas com pessoas de baixa renda, mas tive contato com vários tipos de pessoas. Vi também que eles aprendem muito rápido tudo o que é ensinado'', analisa.
Vinte e cinco meninas participaram da viagem para Nova Londrina. Para conseguirem ministrar cursos para geração de renda, como artesanato e confecção de brinquedos, elas precisam aprender todas as técnicas, explica a diretora do Centro Cultural Caravelas, Carmem Cecília de Campos Fragata. Ela menciona que todo o trabalho realizado é voluntário, mas levado a sério.
As atividade acontecem em parceria entre o centro e as prefeituras, que dão suporte paras os trabalhos e estadia das voluntárias por uma semana na cidade. O centro funciona desde 1996, e mais de 10 municípios da região e bairros da periferia de Londrina já receberam as voluntárias. Interessadas em participar das atividades do centro podem ligara para (43) 3323-3843. A idade mínima para as meninas é 10 anos.


