De fácil diagnóstico, câncer no útero tem grande incidência
Silvana Leão
Com todo o conhecimento que já temos sobre o câncer de colo do útero, não poderíamos mais ter casos da doença no Brasil. A afirmação é do médico Gerson Botacini das Dôres, mestre e doutor em ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (antiga Escola Paulista de Medicina). Ele é um dos professores do curso Patologia do trato genital inferior, colposcopia e cirurgia de alta frequência, que termina amanhã, no Hospital Evangélico de Londrina.
Embora o câncer de colo do útero seja o único para o qual se dispõe de tecnologia para prevenção, detecção precoce e tratamento, Botacini destaca que a doença continua sendo comum no Brasil. Só em 98, segundo dados do Ministério da Saúde, surgiram mais de 20 mil casos e quase 7 mil mulheres morreram por causa deste tipo de câncer.
Na opinião do médico, entre as principais causas do problema estão a falta de conscientização das mulheres, que não procuram as unidades de saúde para fazer o exame preventivo, e a não-adoção pelo governo de tecnologias mais modernas. O exame mais usado no Brasil (o Papanicolau, criado em 1933), segundo Botacini, é ultrapassado e visa detectar somente as células doentes.
Já existe uma metodologia com condições de encontrar o causador das células doentes, o vírus HPV (papilomavirus humano), esclarece. Este método de tipificação do vírus foi introduzido no País pelo próprio Botacini, há cerca de cinco anos.
Segundo o especialista, o custo do método é o mesmo do Papanicolau, mas poderia reduzir pela metade os gastos com prevenção deste tipo de câncer, já que o intervalo entre os exames é maior (de cinco a oito anos, e não anualmente, como acontece com o Papanicolau). Além disso, permite que a própria mulher colete o material a ser analisado.
Gerson Botacini ressaltou que nos últimos seis anos o câncer uterino voltou a crescer nos países em que a citologia (Papanicolau) é usada como programa rotineiro. Para o médico, porém, falta vontade política de se agregar novas tecnologias ao tradicional, em especial no que diz respeito ao câncer uterino.
Já existem no Brasil mais de 200 laboratórios que fazem a tipificação do HPV, explicou Botacini. Segundo o chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Evangélico, Fernando Mangieri Sobrinho, três destes laboratórios estão em Londrina. Botacini também abordou no curso, ministrado junto com o médico Sérgio Mancini Nicolau (da Universidade Federal de São Paulo), a cirurgia de alta frequência, introduzida no Brasil há sete anos, para tratamento de lesões pré-cancerosas. A técnica faz a retirada da lesão de maneira simples e rápida, em ambulatório ou no próprio consultório, utilizando anestesia local.





