De evento em evento
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terça-feira, 31 de março de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Londrina- A montagem da estrutura de uma exposição agropecuária exige muita mão de obra especializada. A edição deste ano da ExpoLondrina não foge à regra. Na montagem do evento londrinense é fácil encontrar trabalhadores que vivem transitando de feira em feira, na montagem de estandes, quase como se fossem de uma tribo de nômades.
A diferença é que esses trabalhadores têm "residência fixa" nas cidades em que ficam as sedes das empresas para as quais trabalham. E normalmente onde vivem suas famílias. Mas em função do trabalho itinerante são obrigados a passar pouco tempo com os parentes.
Segundo o técnico em montagem de estandes Luciano Pereira Santiago, de 31 anos, o período mínimo em que fica fora para montar um estande é de 15 dias, mas há eventos em que ele precisa ficar 40 dias fora de casa. "Às vezes nem dá para desfazer a mala. Chegamos em casa e já partimos para outro evento. O duro é ficar longe da família", reconhece. "Quando conheci minha esposa ela já sabia que trabalhava com isso, por isso ela entende. Mas às vezes reclama."
Santiago, que começou a trabalhar no ramo aos 18 anos e mora em Londrina, diz que um dos períodos mais difíceis que passou na profissão foi a primeira vez em que foi a Luanda, em Angola, na África. "A comida lá é muito diferente. Nossa empresa nos enviou para montar estandes logo depois da guerra pela qual Angola passou. E a culinária deles é à base de uma pasta de mandioca fermentada, que eu não conseguia comer. Passei fome lá. Depois, para ganhar dinheiro, acabei morando sete meses por lá. Aí a coisa melhorou um pouco e ganhei um bom dinheiro, mas mesmo assim, dependendo da comida, preferia comprar um pacote de bolacha do que comer o prato deles. Se recebesse convite para retornar lá, pensaria duas vezes antes de aceitar", comenta.
O melhor lugar que Santiago conheceu por força do trabalho foi Lima, capital do Peru. "Lá foi bom demais. Se pudesse, até moraria lá", confessa. Segundo ele, a comida peruana é boa e a cidade, bastante organizada e limpa. "O bom dessa profissão é que ela permite conhecer outras culturas. Já viajei também para Portugal e para a África do Sul. Dentro do Brasil já fui para Fortaleza (CE), Brasília (DF), Rio de Janeiro, São Paulo, Gramado (RS), Curitiba, Vitória (ES) e para várias cidades aqui da região", enumerou.
Santiago diz que muitos dos novos funcionários entram na profissão pensando somente nas festas. "Eles só querem viajar para festar. Como sou casado, fico mais sossegado", garante.
O chefe de equipe de montagem de estandes Rodrigo Ricardo, de 30 anos, conta que está há 10 anos na profissão. "O primeiro estande que montei foi em Ribeirão Preto, no interior paulista. Só fui montar um estande em Londrina no ano seguinte. Com a minha profissão pude ir para países como Portugal, Espanha, Inglaterra, Angola e Peru." Segundo ele, não há como comparar a infraestrutura da Sociedade Rural do Paraná com a que encontrou em Angola. "Aqui é tudo asfaltado e limpo. Mesmo em muitos outros lugares do Brasil, quando chove, fica complicado de trabalhar. Aqui tudo é organizado", elogia.
Questionado se há tempo para conhecer as cidades onde vão a trabalho, Ricardo explica que durante os dias de evento só são necessários quatro funcionários para fazer a manutenção. "Dá para ir revezando. Enquanto uma turma faz esse serviço, a outra pode visitar os pontos turísticos da cidade", revela o trabalhador, que disse que jamais imaginaria que um dia pudesse conhecer tantos lugares. "Que bom que tive essa oportunidade de sair de Rancho Alegre (Norte) para expandir para outros ares." Nenhum dos funcionários ouvidos quis revelar quanto ganha pelo trabalho.


