De equipamento indispensável a expressão da autonomia
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quarta-feira, 02 de dezembro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Estado de choque, negação, reconhecimento e adaptação: a literatura especializada cita essas quatro etapas básicas para a recuperação de pacientes que sofreram lesão medular e perderam a capacidade de andar. Numa pesquisa qualitativa feita com pacientes que utilizam cadeira de rodas, a fisioterapeuta Viviane de Souza Pinho Costa descobriu que os sentimentos de quem não anda são bastante parecidos e que o acompanhamento multidisciplinar desde o primeiro dia da lesão é crucial na aceitação da nova condição de vida.
Doutora em enfermagem fundamental pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP e coordenadora da clínica de Fisioterapia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina, Viviane trabalha diariamente com cadeirantes e por meio de entrevistas com dez pacientes - cinco deles da clínica da Unopar e outros cinco de clínicas particulares - buscou descobrir os sentimentos e os significados da deficiência para o portador que, segundo ela, formam-se com o passar do tempo.
Para Viviane, uma situação ideal seria que todo paciente lesionado deixasse o hospital utilizando a cadeira de rodas melhor adaptada às suas condições. ''Mas a introdução do equipamento nunca ocorre de forma imediata no País. Pacientes passam um tempo acamados até conseguirem sentar e, quando iniciam a fisioterapia, chegam na clínica em cadeiras alugadas, emprestadas, doadas ou compradas inadequadamente.''
Ela explica que os médicos esperam de seis meses a um ano até apresentarem à família uma avaliação mais precisa sobre a altura da lesão medular, que traz não só transtornos motores, como sensitivos. ''Família e paciente ficam, então, bastante ansiosos e decidem que investir na cadeira de rodas não é necessário enquanto há esperança na recuperação'', diz Viviane.
No entanto, segundo ela, o uso da cadeira deve ser imediato para prevenir complicações secundárias da lesão medular. Viviane cita que a má postura da coluna recém-operada pode causar deformidades, além de interferir na fixação da coluna. Já o mal assento diminui a oxigenação dos tecidos da pele, provocando úlceras de pressão se o paciente fica muito tempo sentado.
''Má circulação também é consequência do uso de uma cadeira de rodas inadequada'', completa a fisioterapeuta, acrescentando que o acesso ao equipamento é dificultado também pelo alto custo. ''Mas o uso da cadeira errada impede o paciente de adquirir sua independência funcional mais rapidamente'', reforça Viviane, ensinando que a cadeira precisa ser como uma roupa, ''deve vestir o corpo confortavelmente''.
Para o eletricista Paulo Sérgio Conceição, 35 anos, uma cadeira de rodas bem adaptada ao corpo faz toda a diferença. ''Uma cadeira errada é como uma calça apertada, você não se sente bem usando'', compara. Ele sofreu uma lesão medular há nove anos e precisou mandar fazer um modelo específico para poder trabalhar em sua oficina, no Conjunto São Lourenço (Zona Sul).
Ele tem outra cadeira adaptada para sair e mais duas cadeiras de banho. ''Tem que encaixar direito senão cansa rápido'', justifica Conceição, que está sempre movimentando as pernas para garantir a circulação sanguínea. ''Único problema é que o equipamento ainda é muito caro, quase abusivo.''


