De carro, repórter faz um passeio no inferno
Trafegar de automóvel pelas ruas de Londrina está ficando cada vez mais complicado. A velocidade dos carros vem aumentando, a sinalização nem sempre é adequada e o risco de acidente espreita em cada cruzamento.
Não é preciso andar muito para sentir as dificuldades. Uma rápida passagem pelo centro na hora do rush, por exemplo, é suficiente para que o motorista se encontre, de repente, num inferno. É um verdadeiro teste de paciência. Carros por todos os lados, semáforos não sincronizados, ruas apertadas, buzinas, lentidão de fluxo aliada à pressa de chegar em casa. E quando chove, o centro fica quase intransitável.
Depois que a pessoa finalmente consegue se livrar do caos do centro, a situação não melhora. Pelo contrário: logo encontra a neurose das vias rápidas, principalmente os acessos principais dos bairros. E tem de tudo na salada do trânsito: motorista costurando pela Via Expressa; outro tentando (e fazendo) um contorno ilegal na Higienópolis; fila dupla na Goiás ou Benjamin Constant; motociclista avançando rápido do seu lado esquerdo quando você dá sinal de que vai virar para o mesmo lado; bicicleta na contramão, à noite, na avenida Leste-Oeste; e pedestre atravessando a rua longe da faixa de segurança.
O pior é descobrir que nem sempre o problema resulta da dupla pedestre distraído-motorista abusado. Um exemplo clássico é a sinalização confusa do final da Avenida 10 de Dezembro (Via Expressa) - que está sendo reformuladapelo Ippul -, nos sentido centro-bairro, com a Avenida Portugal, zona sul da cidade. Alí, muitas vezes o motorista de primeira viagem certamente fica sem saber para que lado levar o carro. À noite, a situação é ainda mais complicada e os riscos de acidente maiores.
Acesso perigoso também é o da avenida Brasília (BR-369), na entrada da Via Expressa, quase em frente à Companhia de Trânsito. Embora a sinalização tenha melhorado um pouco na última semana, aquele ponto da Cidade vira um verdadeiro sufuco às 18 horas. A fila de carros - sentido Ibiporã-Londrina - aguardando a vez para entrar no acesso, por exemplo, é quase quilométrica. E tem carro que ainda arrisca formar fila dupla, fechando duas das três pistas daquela parte da rodovia.
Paulo WolfgangRua Maringá, zona oeste da cidade: confusão na hora do rushEm horário de rush, às vezes até as manobras mais simples se tornam perigosas. Quando o motorista quer sair da Avenida Juscelino Kubitschek, vindo da Higienópolis, e dobrar para esquerda, na Rua Rio de Janeiro, ele não encontra recuo para ficar com o carro enquanto espera o sinal abrir. Neste exato ponto e momento, surge uma interrogação: será que o melhor é parar o carro, dando seta, e arriscar levar uma pancada do sujeito que vem logo atrás em alta velocidade? Ou então tocar em frente e achar um outro ponto mais seguro para acessar a Rio de Janeiro? A situação estimula uma transgressão, ou seja, colocar o carro entre os canteiros centrais da pista e esperar uma chance para virar.
Outro entroncamento complicado é do Avenida Tiradentes com Universo (zona oeste). Tanto o motorista que sai da Arthur Thomas, entra na Tirandentes e quer seguir pela Universo, quanto aquele que sai da Universo e quer entrar na Tiradentes, ficam sem saber de quem é a preferencial. A sinalização horizontal - existe um Pare grafado no asfalto -, não tira a dúvida de ninguém.
Difícil também é confiar nos semáforos da esquina mais famosa de Londrina, a rotatória da Higienópolis com a JK, normalmente a partir da meia-noite. Neste ponto, que já foi considerado no passado recente um dos mais perigosos da Cidade, o sistema convencional deixa de funcionar para que apenas o amarelo pisque intermitentemente. A idéia é que o motorista não precise parar no sinal vermelho de madrugada, quando as ruas estão vazias. Ou que todos tomem cuidado. O problema é que aquele ponto nunca está vazio e tem sempre carro vindo de todo lado, sobretudo nas madrugadas dos finais de semana. Aí volta a dúvida: quem passa primeiro? Quem tiver mais coragem. Ou menos amor à vida.Marcos BorgesRua Pará, centro de Londrina: pouco espaço para muito carroLúcio Horta





