O programa oficial de combate ao tabagismo oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tem alcance modesto no universo de fumantes de Londrina. De acordo com dados obtidos pela FOLHA junto à secretaria municipal de Saúde, apenas 971 pessoas procuraram os postos de saúde com o propósito de enfrentar tratamento multidisciplinar para combater o vício. Destes, menos de 400 conseguiram abandonar o cigarro. O município de Londrina é só um exemplo da incipiência das políticas públicas no setor.
A secretaria não tem uma estimativa específica sobre o número de fumantes de Londrina, mas de acordo com a diretora de Atenção Primária à Saúde, Tatiane Almeida do Carmo, o governo municipal trabalha com uma projeção baseada no índice auferido na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), que aponta 14,7% dos brasileiros com 18 anos de idade ou mais como fumantes. Por este cálculo, Londrina teria cerca de 56 mil adultos dependentes do tabaco. Ou seja, os 971 pacientes fumantes acolhidos pelo SUS em 2012 significam apenas 1,73% do total.
Preocupado com a pouca abrangência também em nível federal, o Ministério da Saúde publicou uma portaria recentemente que amplia em 10 vezes o número de unidades e serviços do SUS que oferecem tratamento aos dependentes.
Atualmente, 3 mil pontos no País estão à disposição dos interessados. O tratamento inclui apoio psicológico e distribuição de medicamentos, atendimentos educativos e terapêuticos, além de ações de prevenção.
A portaria estabelece que estes serviços serão vinculados ao Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ), que atinge 30 mil unidades em 5,1 mil municípios.
Em 2012, o ministério gastou R$ 12 milhões no tratamento a fumantes. Este ano, serão R$ 12 milhões só na primeira parte do programa, referente aos medicamentos. Mas a projeção do ministro Alexandre Padilha é de que o valor possa chegar a R$ 60 milhões, conforme for transcorrendo a adesão das unidades de saúde.
"Esse é um investimento programado para este ano e ele pode ir crescendo à medida em que as unidades de saúde venham incluindo mais pessoas no tratamento. Ao longo dos anos, mais de 600 mil pessoas já aderiram a esse programa. Agora que estamos passando de 3 mil unidades para até 30 mil com possibilidade de participar, nossa expectativa é de que aumente ainda mais o número de pessoas que queiram encerrar o vício de fumar", explicou o ministro.
O controle do tabaco é uma importante medida de prevenção das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DNCT). O tabagismo – assim como a alimentação não saudável, a inatividade física e o uso abusivo de álcool – está entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de infarto agudo do miocárdio, AVC e câncer. Estima-se que o tabagismo mata 200 mil pessoas a cada ano no País.
"Nosso principal foco é exatamente este público que manifesta nas pesquisas o interesse em parar de fumar. Nós vamos fazer busca ativa, campanhas de conscientização. Achamos que esse trabalho de capacitação dos profissionais de saúde vai ser muito positivo para interromper o fumo naquelas pessoas que mantêm o vício há muito tempo", observou o ministro.
Ao atualizar as diretrizes de cuidado ao tabagista, o Ministério da Saúde facilita a adesão ao Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). Em 2012, 175 mil pessoas foram atendidas em unidades credenciadas ao PNCT, em 1.159 municípios. A meta é reduzir de 15% para 9% a proporção de fumantes na população adulta até 2022.
A 17ª Regional de Saúde, divisão da secretaria estadual que é responsável pela distribuição dos medicamentos fornecidos pelo ministério e pelo treinamento das equipes multidisciplinares que atendem os pacientes, informou que o programa antitabagista já funciona nos 21 municípios da circunscrição. O órgão informou que novas equipes estão em treinamento e que os estoques de medicamentos estão abastecidos para a expansão, que será planejada nas próximas semanas. (Com Agência Saúde)

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