Botijão de gás, quadros e chassis de motocicletas, capacetes e televisores. Estes são alguns dos objetos inusitados encontrados pela equipe responsável pela desobstrução de galerias pluviais de Londrina. Mas o grosso do material recolhido de dentro dessas galerias é composto por folhas, sacolas plásticas, caixas de papelão, garrafas plásticas, bitucas de cigarro, panfletos de propaganda e chicletes. Reclamações de bueiros entupidos em Londrina são comuns, principalmente quando chove, como ocorreu no início da semana.
O diretor do Departamento de Viação da Secretaria de Obras, Celso Alves, informa que pouco menos que 10% dos 40 mil bueiros de Londrina estão entupidos. ''Nós trabalhamos diariamente das 7 às 18 horas para tentar reduzir a demanda com um caminhão desobstruidor de galerias, que é acompanhada por uma equipe de 11 pessoas'', informa.
Alves explica que todo esse lixo deveria ter uma destinação correta, pois gera prejuízo para a cidade. ''Se todos jogassem o lixo de maneira adequada com certeza a cidade estaria mais bonita'', apontando que a população deveria ter mais consciência em relação ao problema.
A aposentada Leona Maria do Nascimento conta que presenciou um acidente de carro em frente da sua casa, no cruzamento daz ruas Bahia e Purus (Área Central), provocado, possivelmente, por um bueiro entupido. ''O carro aquaplanou na poça formada pelo bueiro entupido, perdeu o controle e se chocou contra um caminhão estacionado'', relata. Ela diz que o motorista morreu na hora.
Sua filha Soraia Faria do Nascimento diz que a boca de lobo está entupida há seis meses. ''Já ligamos para a prefeitura desentupir esse bueiro, mas até agora não resolveram'', conta.
Nas proximidades da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, na Zona Oeste, o morador Adriano Lisboa conta que o bueiro em frente de sua casa está entupido há um ano. ''As ruas esburacadas têm feito com que os pedriscos caiam na galeria pluvial e obstruam tudo'', relata. O fato de alguns bueiros estarem entupidos, diz ele, acaba sobrecarregando os demais. ''Acho uma calamidade e uma falta de respeito com a gente'', conta.
Lisboa relata que o lixo deixado pela vizinhança para ser recolhido é revirado pelos cachorros e os rejeitos acabam se espalhando. ''É só cair uma chuva forte para que esse lixo todo vá parar nos bueiros'', relata.
O torneiro mecânico José Nilson Zanon trabalha na esquina da Rua Ciro da Rocha Leite com a Avenida Brasília e conta que a boca-de-lobo está entupida devido à sujeira carregada pela chuva. Ele conta que o local foi limpo há 50 dias, mas já está cheio de pedra de novo. ''Aqui vira um rio e isso acaba com o asfalto'', relata. Outro ponto crítico, aponta, fica na rua Dionísio Costa Sampaio com a Brasília. ''Nasceu até um pé de jurubeba naquela boca delobo'', afirma.

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