De bem com a idade e com a vida!
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domingo, 30 de setembro de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Eles já têm uma maior expectativa de vida, e cada vez mais têm aproveitado esse tempo ''extra'' com atividades e novas possibilidades. São as pessoas da terceira idade, melhor idade ou idade de ouro - a nomenclatura não importa. O importante é que não é porque eles já passaram dos 60 que vão deixar de buscar a qualidade de vida por que sempre lutaram.
Segundo dados do último censo do IBGE, o Paraná tinha, em 2000, 809.431 pessoas com mais de 60 anos, sendo 428.326 mulheres para 381.105 homens. Em Londrina, são 41.780 idosos, sendo 22.879 mulheres e 18.901 homens. Uma pesquisa realizada por alunos do primeiro ano de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina, entrevistando 200 idosos em um baile da terceira idade, revelou que 80% deles consideram-se mais felizes hoje.
Mais tempo assim - ''Atualmente, passa-se muito mais tempo sendo idoso. Equivale a um em cada três anos da sua vida, praticamente'', observa o geriatra Marcos Cabrera. Para o médico, é essencial que se procure manter uma boa qualidade de vida, mas ele lembra que o fator primordial para tanto é a boa saúde. ''É preciso lidar bem com as doenças crônicas degenerativas que vão se desenvolvendo com a idade, como o diabete e a osteoporose, por exemplo, ter uma boa alimentação e realizar atividades físicas'', recomenda. Segundo o médico, para se manter bem, o idoso precisa se cuidar em quatro níveis principais: físico, mental, afetivo e espiritual.
Para Cabrera, se as desvantagens de envelhecer são relativas à saúde, ao mercado de trabalho e em parte ao lazer, as vantagens são inúmeras. ''Com a idade, vem o amadurecimento, e a pessoa passa a ter outro entendimento em relação aos seus valores profissionais e familiares. Tem mais tempo para contemplar suas conquistas, pode realizar atividades que sempre desejou, como aprender a pintar, ver mais filmes, viajar'', avalia, lembrando que, para tanto, é fundamental manter uma postura positiva diante do envelhecimento.
Nem mais, nem menos - ''Não posso dizer que mais feliz, mesmo porque a felicidade não é um estado permanente, mas estou de bem com a vida'', define Elizabeth Dolejschi, que, aos 75 anos, frequenta aulas de alongamento para a terceira idade quatro dias por semana (em dois grupos diferentes), concluiu recentemente um curso de informática, participa de um grupo de estudos de literatura inglesa e ainda procura viajar sempre que possível.
Elizabeth observa que hoje consegue fazer mais coisas para si mesma do que quando mais jovem. Viúva e sem filhos, a dona de casa reconhece que, com o tempo, ficou ''mais tolerante, compreensiva e pacífica''. ''Hoje não sou mais tão presa às convenções, sinto-me mais livre. Também posso organizar melhor o dia, e criar um grupo de amizades mais desinteressado'', acrescenta.
Para se chegar a essa idade tão de bem com a vida, ela dá duas recomendações de quem soube aproveitar o tempo para adquirir sabedoria: ''Tem que ter fé em Deus e não se preocupar demais. Também é muito importante aceitar as limitações impostas pela idade, e aprender a conviver com elas''.
Pelo caminho - Já o juiz aposentado Synésio Prestes Sobrinho, 63 anos, aproveitou a aposentadoria para retomar atividades que sempre apreciou, mas as 18 horas diárias de trabalho o impediam de continuar praticando, como participar de maratonas. Prestes, que deixou de tirar 12 férias durante a sua carreira, também aproveitou para viajar e passar mais tempo com a família. ''Fui atropelado e precisei deixar de correr, mas continuo fazendo caminhadas. Também tinha um sonho de ir para Santiago de Compostela. Fui duas vezes, sendo que na segunda percorri 1.100 km a pé'', conta. As viagens originaram inclusive um livro sobre o assunto.
As peregrinações viraram uma prática constante, e hoje ele já contabiliza 12 percursos em caminhos nacionais e internacionais, além de presidir a Associação dos Amigos do Caminho de Santiago. Com uma perspectiva de vida bem promissora e longa (todos os seus avós viveram até pelo menos os 95 anos), Prestes optou ainda por exercer a advocacia, mas com horários bem flexíveis ''Tenho planos de fazer uma pós graduação em alguma área da advocacia, acompanhando o meu filho, que está no último ano de Direito'', revela.
Em boa forma física e aparentando ser mais jovem, Prestes diz não se considerar velho, mas também não se preocupar com o envelhecimento. ''Eu comparo ao Caminho de Santiago. O tempo que você vai levar para percorrer depende das necessidades e das possibilidades de cada um, mas é preciso apreender e aprender. Se sair feito maluco, com pressa, não vai enxergar nada. Nesse caminho, você aprende que é preciso muito pouco para viver. E quando acabar, vai sentir falta daquilo que não pode fazer mais. Se você crê, você enxerga Deus em todas as criações e em toda a sua plenitude. Se não acredita, não vê'', reflete.


