Se o pedestre de Campo Mourão tem o privilégio de contar com motoristas que param diante das faixas de segurança, não têm a mesma sorte quando está andando pelas calçadas da cidade. A cada dia que passa, aumenta o número de obstáculos colocados numa área destinada a quem anda a pé.
Foi-se o tempo em que o maior problema era o material de construção deixado pelas calçadas durante a execução de uma obra. Hoje, as calçadas se transformaram em ponto estratégico para as vendas do comércio. Aos poucos, placas, mercadorias, faixas e caixas de som usadas para chamar a freguesia vão jogando os pedestres em direção à rua.
Esta semana, uma loja na Avenida Manoel Mendes de Camargo, no centro da cidade, instalou um balão sobre a calçada, cobrindo praticamente toda a esquina. A 30 metros dali, um escritório instalou um estacionamento de bicicleta sobre o passeio. A idéia até evitou que as ‘‘magrelas’’ ficassem encostadas em árvores mas, atravessadas na calçada, passaram a atrapalhar quem anda a pé.
Na Rua Brasil, a poucos metros da prefeitura, é possível encontrar chaminés e telas de arame em exposição na calçada para a venda. Mercearias deixam até estoques de melancias sobre o passeio para chamar a atenção dos clientes. Um depósito de madeira não se intimidou em colocar uma pilha de tábuas na área destinada aos pedestres.
Outra cena comum é a colocação de placas sobre as calçadas anunciando ofertas do estabelecimento localizado em frente. A prática é comum principalmente entre restaurantes. Na guerra pelos preços mais baixos das ‘‘marmitex’’, quem está pagando caro é o pedestre. Alegar ignorância ninguém pode: afinal, a lei municipal que disciplina o uso das calçadas é de 1964.
Não bastasse isso, as calçadas de Campo Mourão ainda sofrem com o descaso. Boa parte delas está quebrada pelas raízes das árvores. Para piorar, entre uma propriedade e outra é comum encontrar degraus nas calçadas. À noite, com a arborização pública encobrindo a luz dos postes, tudo isso faz com que os pedestres se sintam mais seguros andando no meio da rua.
O problema se agrava porque a prefeitura não tem estrutura suficiente para fiscalizar e autuar os infratores. Criou-se, assim, a cultura do abuso diante da quase certeza da impunidade. Uma campanha envolvendo o poder público e entidades de classe e, principalmente, o bom senso, poderia amenizar a situação. Mas é preciso agir rápido. Antes que também ocupem o meio-fio.

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