De analista de sistemas a cicloviajante
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de janeiro de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

O cicloviajante Sílvio Carlos de Almeida, de 60 anos, é um analista de sistemas aposentado que tem feito da bicicleta seu meio de transporte por vários países da América do Sul. De todo o continente sul-americano ele não conhece apenas o Equador, a Colômbia, a Venezuela e as Guianas. "Na época da minha aposentadoria, há três anos, eu não queria ficar como muitos amigos meus, parados e dizendo que gostariam aproveitar a vida. Eu sempre tive uma alma livre, mas como analista de sistemas o corpo ficava preso. Procurei algo que proporcionasse liberdade plena e já tinha essa paixão pela bicicleta há muito tempo. Estou viajando desde 2014", relata Almeida, que está em Londrina, de onde parte nesta sexta-feira (6).
Na viagem atual, iniciada em 2016, ele partiu de Lima, no Peru, onde passou por lugares como Machu Picchu, e seguiu pelo Salar de Uyuni, na Bolívia; deserto do Atacama, no Chile; Rota 40 na Argentina, que cruza o país verticalmente; seguiu pelo Paraguai; entrou no Paraná por Foz do Iguaçu (Oeste), e chegou a Londrina nesta semana. Daqui ele segue para Bandeirantes (Norte Pioneiro) e posteriormente passará pelo estado de São Paulo e por Minas Gerais, até chegar ao Rio de Janeiro, sua terra natal.
Almeida relembra que sua primeira "aventura" com uma bicicleta aconteceu quando tinha 12 anos. "Eu fugi de casa, que ficava na Ilha do Governador (RJ) para ir até a casa de minha tia, a 60 km da minha casa. Quando procurei alguma coisa para unir exercícios e o prazer, me lembrei da sensação daquela época", conta.
A primeira grande viagem traçada por ele aconteceu em 2014, cujo objetivo era percorrer do Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. Na época ele saiu do Rio de Janeiro, foi até o Chuí (RS); fez toda a costa uruguaia; foi até o Rio da Prata, na Argentina e percorreu toda a Rota 7, que atravessa a Argentina horizontalmente. "Depois fui por Mendoza (ARG), atravessei os Andes, peguei a estrada Los Caracoles e terminei em Vinã del Mar e Valparaíso (CHI)." Em 2015 ele viajou de Fortaleza ao Rio de Janeiro.
Ele relata que os maiores perigos que enfrenta diariamente são os das estradas que não têm acostamento, principalmente na Bolívia e no Peru. "Essas estradas são estreitas. Na Rota 40, na Argentina, também quase não tem acostamento. Temos que ficar olhando para o espelho o tempo todo, porque os motoristas não ligam para você. Já ouvi deles que ali não é lugar de bicicleta", apontou. Ele relata que em todas essas viagens ele só sofreu uma tentativa de assalto, na Argentina, de um jovem que queria tomar a sua bicicleta.
Entre as paisagens memoráveis, Almeida destaca a travessia da Cordilheira dos Andes. "É um espetáculo da natureza. A reserva de leões marinhos, em Cabo Polonio, no Uruguai, também é extremamente bonita. Aliás, toda a costa uruguaia é muito bonita, com a facilidade que é tudo plano e é possível pedalar com facilidade", destaca. Ele se recorda também de uma estrada em uma montanha na Província de Catamarca, na Argentina. "É uma montanha lindíssima", ressalta.
Sobre o Brasil, afirma que o país todo é bonito. "Da viagem de Fortaleza ao Rio de Janeiro, em 2015, fugi da BR-101 e procurei estradas vicinais junto ao mar. Me recordo bem de Ponta da Fruta (ES) e Canoa Quebrada (CE), mas cada lugar tem a sua beleza e o seu encanto."
PLANEJAMENTO
Almeida fez algumas tatuagens das rotas pelas quais passou e fará a próxima em Londrina, no Red Tattoo & Piercings, cujo proprietário está oferecendo apoio na forma de estadia e alimentação. "Todo ano escolho a minha rota e faço um projeto físico. Mando e-mails para pessoas que estão na minha rota", descreve, informando que faz contato com empresas como hostels, hotéis, pousadas, restaurantes, ciclistas e estúdios de tatuagem. "Busco esses pontos de apoio; explico que não quero dinheiro, mas preciso de alimentação e estadia. Aqui em Londrina estou hospedado na casa do (tatuador)Jades Junior. Outro apoio que eu busco é no site Warm Showers, que é específico para ciclistas que estão viajando."
Almeida conta que as pedaladas são acompanhadas por muita música. "Eu canto e ouço muita música. Coloco o fone em um ouvido só, para poder ouvir a estrada, mas fico apreciando Led Zeppelin, Janis Joplin, Black Sabath, Creedence Clearwater", aponta.
Para quem quiser ser um cicloviajante, ele aconselha ler muito sobre o assunto e sobre as rotas e conversar com pessoas que já fizeram o roteiro. "Tire o máximo de informações possíveis", afirma, observando que é preciso também cuidar da parte física. "Você não precisa ser atleta, mas precisa ter um preparo físico mínimo. Sempre que paro de viajar fico de dois a três meses em uma academia para manter o preparo físico", afirma.
SERVIÇO
Mais informações sobre as viagens de Almeida no https://www.fb.com/silvio.almeida.31 ou https://www.fb.com/ProjetoRotaSulKmaKm.


