O ciclo viajante Sílvio Carlos de Almeida é um analista de sistemas aposentado que tem feito da bicicleta seu meio de transporte por vários países da América do Sul. De todo o continente sul americano ele ainda não conhece apenas o Equador, a Colômbia, a Venezuela e as Guianas. "Na época da minha aposentadoria, há três anos, eu não queria ficar como muitos amigos meus, parados e dizendo que queriam aproveitar a vida. Queria mais movimento. Eu sempre tive uma alma livre, mas como analista de sistemas o corpo ficava preso. Procurei algo que proporcionasse liberdade plena e já tinha essa paixão pela bicicleta há muito tempo. Estou viajando desde 2014", relata.

Imagem ilustrativa da imagem De analista de sistemas a ciclo viajante
| Foto: Reprodução/Facebook



Na viagem atual, iniciada no ano passado, ele partiu de Lima (PER), onde percorreu por lugares como Machu Picchu, e seguiu pelo Salar de Uyuni, na Bolívia; pelo deserto do Atacama, no Chile; pela rota 40 na Argentina, que cruza o país verticalmente; seguiu pelo Paraguai; entrou no Paraná por Foz do Iguaçu, e chegou a Londrina nesta semana, onde permanece até hoje. Daqui ele segue para Bandeirantes e posteriormente passará pelo estado de São Paulo; por Minas Gerais; até chegar ao Rio de Janeiro, sua terra natal e o destino final da rota que ele traçou para esta viagem.

Ele relembra que sua primeira grande aventura com uma bicicleta aconteceu quando tinha 12 anos. "Eu fugi de casa, que ficava na Ilha do Governador (RJ) para ir até a casa de minha tia, que ficava no bairro de Pilares, a 60 km da minha casa. Quando procurei alguma coisa para unir exercícios e o prazer me lembrei da sensação que senti naquela época", relembra.
A primeira grande viagem traçada por ele aconteceu em 2014, cujo objetivo era percorrer do Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. Na época ele saiu do Rio de Janeiro, foi até o Chuí, no Rio Grande do Sul; fez toda a costa uruguaia; foi até o Rio da Prata, na Argentina e percorreu toda a rota 7, que atravessa a Argentina horizontalmente. "Depois fui por Mendoza (ARG), atravessei os Andes, peguei a estrada Los Caracoles e terminei em Vinã del Mar e Valparaíso (CHI). Em 2015 ele viajou de Fortaleza ao Rio de Janeiro.

Ele relata que os maiores perigos que vive diariamente são os das estradas que não têm acostamento, principalmente na Bolívia e no Peru. "Essas estradas são estreitas e possuem apenas um metro de pista de barro ao lado das vias. Na rota 40, na Argentina também quase não tem acostamento. Temos que ficar olhando para o espelho o tempo todo, porque os motoristas não ligam para você. Já ouvi deles que ali não é lugar de bicicleta", apontou. Ele relata que em todas essas viagens ele só sofreu uma tentativa frustrada de assalto, na Argentina, de um jovem que queria tomar a sua bicicleta. "Mas não foi anda de mais", minimiza.

Entre as paisagens mais memoráveis ele destaca a travessia da Cordilheira dos Andes. "É um espetáculo da natureza. A reserva de leões marinhos, em Cabo Polonio, no Uruguai, também é extremamente bonita. Aliás, toda a costa uruguaia é muito bonita, com a facilidade que é tudo plano e é possível pedalar com facilidade", destaca. Ele se recorda também de uma estrada em uma montanha na Província de Catamarca, na Argentina. "É uma montanha lindíssima", ressalta. Ele aponta que há uma estrada que segue pelo espigão da montanha por cinco quilômetros cuja vista é espetacular.

Sobre o Brasil, ele diz que o país todo é bonito. "Da viagem de Fortaleza ao Rio de Janeiro, em 2015, fugi da BR 101 e procurei estradas vicinais junto ao mar. Me recordo bem de Ponta da Fruta (ES) e Canoa Quebrada (CE), mas cada lugar tem a sua beleza e o seu encanto.
Ele destaca que o lugar em que o povo foi mais receptivo foi a Bolívia. "Não consegui identificar o motivo, mas talvez porque eles sejam bastante diferentes da gente. Possuem um biotipo mais baixo, e não usam tatuagens e nem brincos como eu uso", analisa.

A matéria completa você poderá ler nesta sexta-feira (5), na Folha de Londrina.

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