DCE se recusa a assumir o RU
e diz que proposta é ‘indecente’
Estudantes apontam ‘jogo político de mau gosto’ e pedem transparência na administração do restaurante
Célia Baroni

Paulo WolfgangPassadoDécio Barbosa, reitor em exercício: ‘DCE já administrou o RU’O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) se nega a assumir a administração do Restaurante Universitário (RU). Em entrevista coletiva, os coordenadores do DCE afirmaram que a proposta da reitoria é ‘‘indecente’’ e tem a finalidade de desacreditar a entidade frente à comunidade universitária.
A decisão de entregar a administração do RU à entidade representativa dos estudantes foi tomada na segunda-feira pelo Conselho Universitário (CU) da UEL no mesmo dia em que foram anunciados os preços das refeições. Os valores foram motivo de protesto dos alunos na quinta-feira, quando o RU foi oficialmente inaugurado com a presença do governador Jaime Lerner (PFL) e da vice-governadora Emília Belinati (PTB). Enquanto as autoridades almoçavam, cerca de 200 estudantes fizeram bastante barulho do lado de fora do prédio.
Os estudantes já haviam protestado no dia anterior. Eles encomendaram e distribuíram 200 refeições para comprovar que seria possível a universidade estabelecer o preço das refeições a R$ 0,75.
Paulo WolfgangPresenteLilian e Henrique Vieira, coordenadores do DCE: ‘desrespeito’
Os preços anunciados pelo CU são diferenciados para cada categoria: servidores técnico-administrativos que ganham até três salários mínimos pagarão R$ 0,70 e aqueles que recebem entre três e seis salários pagarão R$ 1,30. Funcionários que recebem mais do que seis salários mínimos desembolsarão R$ 1,90. Alunos pagarão R$ 1,30, professores R$ 1,90 e visitantes, R$ 3,00.
No documento encaminhado ao DCE, via fax, a reitoria comunica a decisão de manter aqueles preços em vigor por dois meses e entregar a administração do RU à entidade a partir de 1º de julho. A decisão do Conselho Universitário - anunciada pelo reitor licenciado Jackson Proença Testa, reeleito no último dia 23 para outro mandato de quatro anos - determina que a UEL entregará ao DCE a estrutura física do RU, mas retirará toda a equipe de funcionários do restaurante. O DCE terá de arcar também com a compra de alimentos e os custos com água, luz, gás, manutenção dos equipamentos e pagamento dos funcionários e, ainda, com os salários de vigias.
‘‘A atitude do reitor demonstra desrespeito e irresponsabilidade para com toda a comunidade universitária. O RU não é um brinquedo nas mãos do reitor que ele pode dar para quem quiser e nas condições que bem entender. É resultado da luta de toda a comunidade universitária’’, diz Lilian Alvarenga Tavares, da coordenação do DCE.
A entidade reafirma que o valor de R$ 0,75 por refeição é viável. ‘‘Nossa campanha não foi inconsequente. Fizemos pesquisas e levantamentos para chegar a esse preço’’, frisa Henrique Gambaro Vieira, coordenador do DCE. Os coordenadores lembram que o RU não visa lucro, que toda a folha de pagamento é bancada pelo Estado e parte dos alimentos consumidos no RU será fornecida pela Fazenda Escola da UEL.
‘‘Propor que o DCE assuma o RU, sem dar à entidade condições para tanto, é um jogo político de mau gosto. Demonstra apenas que o reitor Jackson Proença Testa não aceita críticas e não quer um movimento estudantil ativo e crítico dentro da UEL’’, afirma Henrique Vieira. Ele enfatiza que a função da entidade é a de representar os interesses dos estudantes, questionar e apresentar propostas para solucionar os problemas da UEL. ‘‘Administrar o RU é função da reitoria, que deve ser exercida com transparência e participação de toda a comunidade universitária.’’
O DCE questiona o fato da reitoria não ter apresentado, até agora, uma planilha comprovando que o preço das refeições é o de custo. De acordo com um levantamento do DCE, o custo de uma refeição balanceada é de R$ 0,60, com preços de alimentos levantados em supermercados de Londrina. No valor proposto pela entidade (R$ 0,75), já estaria incluída uma sobra de R$ 0,15 por refeição, destinada a custear a manutenção das máquinas e infra-estrutura como água, luz, gás, etc.
De acordo com o DCE, com o preço proposto pela entidade, a ‘‘sobra mensal’’ giraria em torno de R$ 7 mil. O coordenador Henrique Vieira afirma: ‘‘Até agora a única coisa que o DCE vem pedindo é transparência. Se não é possível praticar o valor que estamos propondo, basta a UEL apresentar uma planilha provando como chegou aos valores definidos por ela’’.

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