Milton DóriaPor foraEstudantes comem refeições preparadas pelo DCE: arroz, feijão, carne de panela e legumes por R$ 0,75 ‘‘Só pago R$ 0,75.’’ Este é o slogan da mais nova campanha lançada ontem pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de Estadual de Londrina. O objetivo é envolver os estudantes na luta pelo preço baixo da refeição no Restaurante Universitário (RU), que será inaugurado hoje.
O RU do campus é reivindicação tão antiga quanto a UEL. É feita há mais de 25 anos. Mas o movimento estudantil não parece estar disposto a aceitar preços semelhantes aos de restaurantes comerciais.
Para o lançamento da campanha, os membros do diretório organizaram uma manifestação ontem, com uma série de atividades. O protesto teve início pela manhã, com o enterro simbólico da UEL. ‘‘Passamos pelo Calçadão do campus carregando um caixão’’, diz o coordenador de eventos do diretório, Everton Gassi. Encenação de uma peça teatral, apresentação de capoeira e shows musicais também estavam previstos durante o dia.
Por volta do meio-dia, o DCE serviu refeições em frente ao RU, cobrando R$ 0,75. Arroz, feijão, carne de panela, bolinho de arroz e legumes cozidos estavam no cardápio. Everton Gassi explica que o DCE chegou a esse preço depois de realizar uma pesquisa junto a 17 universidades, onde a refeição varia de R$ 0,38 a R$ 2,30.
Enquanto o DCE servia comida do lado de fora, um grupo de estudantes experimentava refeições dentro do RU. A administração esteve ontem realizando testes para verificar a qualidade da alimentação que será servida.
Milton DóriaPor dentroEstudantes experimentam comida do RU, que será inaugurado hoje e deve entrar em funcionamento na segunda
‘‘Fizemos uma média e verificamos que R$ 0,75 é um preço justo, já que a UEL não precisa visar lucro’’, afirma Everton Gassi. Segundo ele, há comentários na UEL de que o preço a ser cobrado no RU ficará entre R$ 1,30 e R$ 1,50.
O preço da refeição deve ser definido na segunda-feira,quando o RU começa a funcionar, segundo o reitor licenciado da UEL, Jackson Proença Testa. Ele explica que diz que o Conselho de Administração da Universidade vai dar a palavra final sobre o assunto.
Jackson Proença Testa diz ainda que o valor a ser cobrado terá um desconto de cerca de 30%, em relação a restaurantes comerciais. O desconto é referente à folha de pagamento dos funcionários, que não será embutida na planilha de custos. Ele ressalta que o RU não visa lucros, ‘‘mas é importante que o valor esteja dentro da realidade’’.
Sobre a pesquisa realizada nas outras universidades, Jackson Testa afirma que é preciso analisar também a qualidade, quantidade e variedade da comida oferecida. ‘‘De repente, tem universidade que oferece ovo frito, arroz, feijão e pouca carne’’, diz. ‘‘Na UEL, a alimentação será balanceada e contaremos, inclusive, com uma nutricionista’’, acrescenta.
O RU do campus, que fica perto do Centro de Ciências Exatas (CCE), será inaugurado hoje às 11h30, com a presença do governador Jaime Lerner (PFL) e da vice-governadora Emília Belinati (PTB).
A obra, de três pavimentos, possui 1.680 metros quadrados e custou R$ 950 mil. Foram gastos também R$ 550 mil com equipamentos. O RU deve servir três mil refeições por dia e vai contar com dois refeitórios de 42 mesas. O funcionamento será das 11 às 14 horas para almoço e das 18 às 20 horas para jantar. Professores, funcionários e estudantes terão direito às refeições.
Durante a solenidade de inauguração, será assinado também convênio para implantação do Centro Educacional para Professores (Ceprof) na UEL. Com custo previsto de R$ 800 mil, a sede do Ceprof terá 4,2 mil metros quadrados e deverá se transformar em um centro para formação de magistério.

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