A tragédia que assolou o Japão no dia 11 de março e gerou um caos repentino obrigou milhares de famílias a voltarem ao Brasil, trazendo o mínimo de pertences, mas uma enorme falta de planejamento. Muitas famílias retornaram no sem sequer projetar situações básicas como a educação dos filhos. E esse quadro tem gerado muitas dúvidas nos pais.
Na Secretaria de Educação de Londrina, a procura de famílias por informações e processos relacionados à transferência de histórico escolar do Japão para o Brasil aumentou significativamente nas últimas semanas. ''Durante todo o ano, é comum recebermos crianças vindas do Japão, mas só no último mês já apareceram cinco casos'', comenta a gerente de documentação escolar, Maria Judith Montagnini Cardozo.
Segundo os dados levantados pela chefe do Núcleo Regional de Educação de Londrina (NRE), Lucia Aparecida Cortez Martins, tramitam 45 processos de transferência. ''É um procedimento tranquilo porque há sempre famílias indo e voltando do Japão, mas é perceptível que nos últimos tempos a procura por orientações tem aumentado. É importante que os pais procurem as escolas mais próximas e conversem com a coordenação. É a escola que irá fazer os trâmites legais com o Núcleo'', indica.
Se a criança está em fase escolar de 1 à 4 série, o processo de transição será encaminhado à Secretaria de Educação. ''Nós iremos regularizar o histórico escolar e verificar a documentação necessária'', conta Maria Judith, ao explicar que as escolas brasileiras presentes no Japão trabalham com o mesmo sistema de ano escolar do Brasil. ''Agora se a criança estudou em escola japonesa, precisamos avaliar em qual série ela será inserida'', explica.
Até o momento, a secretária diz que só trabalhou com casos em que a criança possui um conhecimento básico da língua portuguesa. ''Mesmo estando em outro país, muitas famílias brasileiras continuam se comunicando em português e assim, a criança adquire noções da língua, pelo menos dentro de casa'', observa. Já para aqueles que desconhecem o português, ela sugere um reforço, em contraturno, tanto com os professores quanto pelos próprios pais.
Esforço
Recém-chegada do Japão, a família Oribe está se adaptando aos poucos à nova rotina. Eles, que moraram durante 12 anos na província de Nagano, voltaram às pressas, preocupados principalmente com o risco de radiação - já que houve vazamento em uma usina. ''Não conseguimos planejar nada, mas a nossa prioridade sempre foi com a educação de nossos filhos. Mal nos instalamos aqui e já fomos atrás de informações no Núcleo e Secretaria de Educação. No começo estávamos totalmente perdidos'', conta Marco Antônio, que é londrinense.
Letícia, 9 anos, e Lucas, 7, que sempre estudaram em escolas brasileiras no Japão, estão matriculados em instituições diferentes em Londrina. ''O que facilitou a adaptação dos dois é que eles já estudavam em português'', ressalta a mãe, Mari Oribe, que com apenas duas semanas de aula percebe que os filhos estão completamente integrados. ''Eles dizem que estão adorando e até falam que é melhor do que no Japão, pois lá, eles se sentiam diferentes por serem filhos de brasileiros, mas aqui não'', conta.
Em casa, os pais dão uma forcinha nas tarefas, mas a professora de Lucas, Joenice Betanim Dias, da 2 série, conta que o aluno está acompanhando muito bem o restante da turma e demonstra um enorme esforço em aprender. ''A presença do Lucas em sala de aula está sendo muito boa. Ele já até fez amiguinhos'', comenta.
Serviço - Mais informações no NRE, pelo fone (43) 3371-1313 ou na Secretaria Municipal de Educação, fone (43) 3372-4023

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