Das ruas, a chance para a diretoria
Primeiro emprego para muitos trabalhadores, o cargo de office-boy abre também a oportunidade de crescimento profissional. Renato Willyan Moratto, 31, gestor de suprimentos da Sercomtel, começou na empresa como contínuo. ''Entrei em fevereiro de 1991. Foi meu primeiro emprego registrado'', contou ele.
Após três anos na função, Moratto prestou concurso interno e conseguiu vaga para o cargo de agente administrativo. Dedicado, entrou na faculdade, se formou em Administração de Empresas e foi promovido, em 2003, a coordenador da área de contratos e notas fiscais. Em 2005, assumiu a atual função de gestor de suprimentos.
Decidido, Moratto entrou na empresa com vontade de fazer carreira. ''Foi por isso que cursei Administração'', informou. Da época em que trabalhava como office-boy, ele recorda das três viagens diárias a vários bancos, onde recolhia contas telefônicas para receberem baixa, pagava dívidas e resolvia pendências diversas. ''O processo não era informatizado como hoje'', comparou.
O gestor se lembra que alguns colegas eram ''folgados''. ''Tinha gente que, apesar de estar sentada ao lado da máquina de xerox, chamava o contínuo para fazer a cópia'', contou. Dono de vasta experiência na área, ele afirmou que o office-boy tem que ser responsável, interessado e comprometido. ''Eles precisam se preocupar em adquirir conhecimentos para o futuro''.
Essa também é a dica de Rômulo Jeanegitz, 26 anos, analista de suporte da Milênia, que entrou na empresa há dez anos como office-boy. ''Os boys devem trabalhar com o pensamento à frente, em perspectivas futuras. O trabalho de quem mostra competência sempre aparece'', acredita.
Jeanegitz começou na Milênia como contínuo da área financeira. Por mostrar interesse em outras funções e ter realizado um curso de hardware, passou a trabalhar meio expediente no departamento de informática. Quando surgiu uma vaga no setor, ele foi a primeira opção para preenchê-la.
A profissão definiu a escolha da faculdade: Engenharia de Computação. Apesar de satisfeito com a posição alcançada, o analista trabalha para crescer profissionalmente. ''Quero alcançar um cargo gerencial ou mesmo de diretor'', anunciou.





