Foi justamente toda a experiência adquirida em mais de 10 anos de sucesso como modelo que a londrinense Edmara Alves conseguiu dar continuidade ao trabalho. Hoje, aos 54 anos, ela é professora de passarela, postura e andamento do Estúdio Desireé Soares.
''Eu nunca imaginei que iria dar aulas. Mas com o passar do tempo, os convites de trabalho foram diminuindo e tive que encarar novos desafios. Hoje, dou aulas para nove turmas de adultos'', conta ela, que entre as alunas, teve também a top londrinense Michelle Alves.
A história de Edmara com o mundo fashion começou com uma brincadeira, mas aos poucos foi despertando a atenção da londrinense tímida. Com 1,80m de altura e 22 anos, Edmara chamava a atenção por onde passava, inclusive no trabalho. ''Eu era vendedora de loja e os funcionários insistiam para que eu procurasse um curso de modelo. Eles me incentivavam a desfilar e fotografar, mas eu morria de vergonha'', conta.
Em pouco tempo, os primeiros convites começaram a surgir e Edmara resolveu se inscrever no Senac, que na época era a única a ofertar aulas de modelo; porém, ela não foi selecionada. ''Então, eu fui fazer dança. Um dia, a dona da escola trouxe um profissional de uma escola de modelo em Curitiba para dar curso de passarela. Eu participei e assim as portas foram se abrindo'', lembra.
Naquele tempo, em 1982, Edmara viu a carreira decolar. Por semana, eram diversos desfiles em toda a região e até concursos, como a Rainha da Exposição. Nessa fase, ela dividiu as passarelas com Xuxa, Monique Evans, Luiza Brunet e Cláudia Raia. ''Tudo isso durou 10 anos e digo até que foi bastante, pois a idade certa para uma modelo é até os 22 anos no máximo, a não ser que você tenha um rostinho de menina'', comenta.
Diante da realidade dos cachês mais baixos e também dos poucos convites de trabalho, Edmara teve que ir além das passarelas. No começo, foram aulas particulares para as filhas de algumas madames, mas em seguida ela abriu a própria escola, onde também deu aulas voluntárias para as meninas que não podiam pagar pelo curso. ''Fiz cursos com um professor que formava modelos internacionais e comecei a ter uma compensação financeira em sala de aula. Mas eu resolvi fechar a escola e buscar outro lugar para dar aulas'', explica a londrinense, ao dar o exemplo de que é possível continuar trabalhando na área de interesse. ''Basta encarar os desafios e não desistir facilmente'', completa. (M.O.)

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