Produtos fresquinhos e a um preço justo, logo ali, perto do Terminal Urbano. Que mais o londrinense poderia querer de uma feira livre? Pois é, na feira do produtor de Londrina, que acontece todos as manhãs de domingo na rua Benjamin Constant, em frente ao Museu Histórico, é possível encontrar desde queijos, vinhos, ovos, legumes, verduras, frutas, o bom e velho pastel de carne, até doces, peças artesanais, roupas, bijuterias, flores diversas e, por que não, suco de luz do sol.
Daniel de Carvalho, 61 anos, sabe bem o que é trabalhar na feira. Há 25 anos, ele e outros 20 pequenos agricultores do município iniciaram a feira num espaço cedido pela Prefeitura, na antiga estação ferroviária. Plantador de mandioca, batata e cará, ele conta que nunca saiu do Sítio Veríssimo, na Usina Três Bocas (Zona Sul), onde nasceu, cresceu e criou os quatro filhos num terreno de seis alqueires. Com a renda obtida na feira e em vendas para restaurantes e sacolões, o horticultor admite que ''dá para viver''.
Maria Irene Molinari Sato também é uma das produtoras mais antigas da feira. ''Criei meus filhos na feira do produtor'', diz. Ela recorda que aos três anos de idade, o filho mais velho já a acompanhava no trabalho dominical. Passados 20 anos, chegou a vez do neto ajudar a avó a vender frutas, legumes e verduras. ''A vantagem de participar da feira é a convivência com os colegas. Além disso é mais lucrativo'', declara a horticultora, que durante a semana fornece seus produtos, cultivados num sítio de 7 mil metros quadrados no Conjunto Antares (Zona Leste), para sacolões da cidade.
A funcionária pública Dalva Aparecida Guedes de Almeida vende licores e doces. ''Preparo tudo aos sábados para vender produtos sempre fresquinhos na manhã de domingo'', orgulha-se. A matéria-prima para os licores - frutas como jabuticabas e acerolas -, a confeiteira compra dos próprios companheiros. ''A feira é uma grande família. Mais do que um trabalho, é um lugar de encontrar os amigos, já faz parte da minha vida'', emociona-se.
As receitas foram aprendidas numa confeitaria em Minas Gerais. O carro-chefe das vendas é a cocada com maracujá, mas os rocamboles são de dar água na boca.
A advogada Maria José Stanzani se acostumou a comprar verduras e legumes na feira do produtor, a qual frequenta há quatro anos. ''Venho aqui quase todo domingo porque já conheço o pessoal e sei da qualidade dos produtos, além disso, o preço é melhor'', assinala. ''Só que tem que chegar cedo senão termina tudo'', avisa.
Na barraca ao lado, dona Irene Komarczwiski Biz, 73 anos, prepara-se para vender mais um pão caseiro. Faltando mais de duas horas para o término da feira, a barraca já está quase vazia. Junto ao marido, o aposentado Waldemar Pedro Biz, 75, a dona-de-casa levanta todos os dias às 4 horas da manhã para preparar a massa dos pães, biscoitos e bolos vendidos em lojas do Centro e na feira do produtor, aos domingos.
Segundo Dona Irene, sem a renda dos pães, seria difícil viver. ''Meu marido ganha apenas um salário de aposentadoria e todo o dinheiro é usado no pagamento do plano de sa© úde.'' Sempre sorridente, a quituteira não reclama por ter de voltar a trabalhar depois de já ter criado os quatro filhos. ''Gosto muito e faço tudo com o maior carinho.''

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