Depois de dezoito anos como letrista - pintando letras no comércio - Celso do Nascimento Lopes viu seu hobby de pintar quadros engrenar e virar um projeto, quando começou a trabalhar como agente de segurança na Biblioteca da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Eventualmente pintava paisagens, mas tudo por aprendizado. Foi justamente quando comecei a trabalhar como vigia que as coisas mudaram. Com as manhãs livres, tive tempo de me dedicar mais à pintura'', diz Lopes, que trabalha à tarde e à noite.
Para ele, a prática com os pincéis podem ter lhe rendido maior habilidade. ''Nunca estudei sobre pintura, é um dom natural. Talvez os anos pintando letras tenham ajudado de alguma forma. Para a realização do trabalho, me inspiro com o que vejo em revistas, no dia a dia, ou na beleza da natureza. Meu forte é a pintura real.''
O boca a boca inicial foi ganhando força e não demorou para as pessoas começarem a conhecer e reconhecer seu talento. Tanto que no ano passado Lopes fez uma exposição na Bibioteca da UEL que ajudou a reforçar seu potencial. ''Fui muito elogiado'', orgulha-se ele, que já contabiliza cerca de 300 quadros no currículo.
Desde então, as encomendas, que já aconteciam, se tornaram mais frequentes. ''Sempre que pedem, eu faço. Ainda que não haja encomenda, não paro de pintar. Mesmo que eu não venda, fico com o quadro em casa'', diz ele, para acrescentar: ''Hoje, apesar de receber pelos trabalhos, não vivo da pintura, pois sei que é uma profissão nem sempre valorizada. Mas se precisar, não tenho dúvidas de que estou no caminho certo. Se todos pudessem fazer aquilo que gostam, as pessoas seriam felizes'', profetiza. (M.T.)

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