Das aulas de Direito, para dança de salão
A idéia de que dança de salão é coisa de pais ou avós não passa de preconceito. É o que acham alunos do primeiro ano do curso de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Toda a quarta-feira, às 12h30, eles deixam as aulas teóricas de Direito para treinar o molejo na sala de dança. A aula é divertida e descontraída. Cada passo é um desafio, mas ninguém tem medo de tentar. Como todos são amigos, não existe constrangimento.
A turma decidiu fazer o curso por causa de dois amigos. Gabrielle Selig, 18 anos, e Daniel Lisboa, 18, estavam saindo de um bar quando tiveram a idéia. A gente comentou como ia ser legal se todo mundo soubesse dançar para sair junto, diz Gabrielle. A partir daí, começaram a convencer os outros colegas a entrar no curso.
Boa argumentação é própria de quem faz Direito. Eles tinham que fechar uma turma para começar as aulas e conseguiram - 95% da turma é formada pelo pessoal de Direito.
Depois de dois meses de aula, os passos já fazem parte das saídas noturnas e dos churrascos do grupo. Mais tarde, servirão para chamar a atenção nas formaturas e nos casamentos do pessoal da turma, comentam, ao incentivar os namorados Bartira Elia, 20 anos, e Guilherme Borges, 19 anos.
Logo que foi convidada para fazer o curso, Bartira se entusiasmou. Não teve dificuldade em levar Guilherme. Ele também gosta de dançar. Durante as aulas, os dois dançam juntos o tempo todo. Na hora em que a professora pede para trocar de par, eles fingem não escutar. Nunca aconteceu de trocarmos de par, diz Guilherme. Bartira fala, em tom de brincadeira, que para outra dançar com o namorado só se sair no tapa.
Não são muitos os casais que fazem as aulas. Murilo Zibetti, 20 anos, não tem namorada, mas nem por isso deixou de entrar no curso. Na hora de dançar, busca uma amiga, como a maioria. Murilo é a descontração da turma. Quando a professora fala sobre o próximo passo, ele já está fazendo suas demonstrações. Murilo não perde o ritmo nem no trabalho. Às vezes, vou entregar uma fita de vídeo para o cliente e vejo que estou indo no ritmo. (A.C.)





