Londrina – O cruzamento da Avenida Dez de Dezembro com a Rua Tremembés, na região leste de Londrina, se tornou moradia comum para a população de rua. "Aqui tem bastante movimento. As pessoas ajudam a gente, às vezes dão comida e assim a gente sobrevive", explica Agnaldo Antunes de Castro. Há um ano e meio, Castro se divide entre as calçadas ao lado da Dez de Dezembro e as ruas do Jardim Interlagos, onde morava. "Meu lar agora é na rua. Sinto falta da minha família. Ninguém se imagina desse jeito", desabafou aos 46 anos.
O valor do aluguel ficou pesado após a morte da mãe há dois anos. "Meu irmão conseguiu se virar e arranjou outro lugar para morar. Eu fiquei por aí", resumiu. Portador do vírus HIV, Castro conseguiu ajuda da rede municipal de Saúde e foi internado em uma casa de apoio. Seis meses depois, ele já se sentia recuperado e achou que pudesse agir de forma independente. "Acabei voltando para a rua. A gente enfrenta o frio, a chuva, vira de um lado pro outro, e assim vai vivendo", comentou.
Após a entrevista, ele foi abordado pela equipe da Secretaria Municipal de Assistência Social. Os profissionais iriam verificar a disponibilidade de vagas para que ele pudesse retomar o tratamento. A equipe da prefeitura agiu enquanto fazia a entrega de panfletos para conscientizar motoristas a não dar esmolas ao serem abordados nos semáforos e cruzamentos da cidade.
A coordenadora do Centro de Referência para a População em Situação de Rua (Centro POP), Mariluci Queiroz dos Santos, destacou que a esmola incentiva a permanência dos moradores no local. "A esmola acaba sendo uma forma de atender a necessidade imediata e não garante o acesso dessa pessoa aos serviços públicos que nós temos. Precisamos que a comunidade saiba que existem esses serviços, que o trabalho é feito e que é possível acionar o município", destacou.
Há, aproximadamente, 300 moradores de rua em Londrina, segundo estimativa da Secretaria Municipal de Assistência Social. Deste total, 174 estão acolhidos nos abrigos que possuem convênios com o município. Vinte e cinco profissionais do Serviço Especializado em Abordagem Social - Sinal Verde se revezam no serviço de abordagem a população de rua. "Costumamos demorar de 20 minutos a até duas horas para ir em cada local, mas todas as chamadas são registradas", garantiu Mariluci. "Alguns não querem atendimento, mas a gente estabelece um primeiro contato e oferece todos os serviços da rede", ressaltou a secretária de Assistência Social, Télcia Lamônica de Oliveira.

SERVIÇO
As equipes do Sinal Verde podem ser acionadas pelos fones (43) 3378-0417, 9991-4568 e 9996-3497. O atendimento é feito de segunda a sexta-feira, das 7 às 23 horas; aos sábados das 9 às 20 horas e aos domingos e feriados das 9 às 15 horas.

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