Danos no Ribeirão Cambé são graves, aponta IAP
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Para o chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ney Paulo, são graves os danos causados ao curso do Ribeirão Cambé, na Zona Oeste de Londrina, por causa de um canal que desvia cerca de 1,2 mil metros do curso da água. A análise foi feita ontem à tarde durante uma visita de fiscais do IAP, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) e da organização não-governamental (ONG) Patrulha das Águas ao local. O responsável pelo canal deve ser notificado hoje.
Segundo Ney Paulo, não havia nenhum tipo de permissão para se interferir na área a qual, como fundo de vale, é considerada de preservação permanente. ''Depois de notificado, o empresário será chamado a prestar esclarecimentos ao IAP, na sexta-feira, às 17 horas, quando poderá ser autuado por crime ambiental'', explicou. O chefe do IAP ressaltou que o caso obrigatoriamente resultará em multa. ''Se isso não for feito, qualquer um se sentirá à vontade para causar esse tipo de dano'', justificou.
Dano que, para o presidente da Patrulha, João Batista Souza, só não foi pior porque a chuva do último domingo frustrou a expectativa dos escavadores. ''Se não tivesse chovido, o canal forçado teria vingado e possivelmente peixes teriam morrido da área onde foi desviado o curso. Além disso, o Lago Igapó 4 estaria ainda mais assoreado, com o transporte de lixo'', afirmou.
Segundo Souza, o empresário responsável pelo canal o teria procurado anteontem à noite para explicar que a intenção era evitar o acúmulo de materiais no leito, que passa pelo fundo de uma área florestal de sua propriedade.
O chefe do IAP ainda não determinou se o canal com 1,5 metro de profundidade por 1,2 metro de largura terá de ser fechado pelo infrator, que também responderá pela vegetação devastada na obra, descoberta por Souza durante uma visita de rotina, no fim de semana. Souza chegou a registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil para que fosse apurada a responsabilidade.
A Folha tentou contato com o empresário em sua residência e na sua construtora, ontem, por telefone. Mas ele não foi localizado para comentar as declarações da fiscalização.


