Uma aula de dança na qual não há regras, passos marcados ou coreografia fixa. Apenas mexer o corpo é requisito para participar. Na aula de dançoterapia do Jardim Igapó (Zona Sul de Londrina) o lema é sentir a música e se movimentar. Para isso, dentro do limite de cada um, os participantes esticam os braços, rodam, pulam, fazem 'trenzinho', e uma hora de aula passa voando.
Mais do que dançar, se divertem, dão risadas, cantam e suam a camisa, como crianças felizes na hora do recreio. Apesar da brincadeira, a ''aeróbica maluca'' é considerada terapia alternativa para muitos desses participantes. O projeto, que existe há quase um ano, faz parte das atividades do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) aberto à comunidade. Começou com apenas dez pessoas e, hoje, são mais de 50, principalmente da terceira idade.
Segundo o professor responsável, Adair dos Santos, não se trata de uma aula convencional de dança, em que o professor ensina o passo e o aluno tem que copiar. ''O objetivo da dançoterapia não é tornar ninguém dançarino, mas estimular a coordenação motora e cognitiva, a flexibilidade e até mesmo o ritmo. Porém, o principal acaba sendo o convívio e a sociabilização que o grupo traz'', explica.
E foi exatamente o que aconteceu com a aposentada Clarice Baldan da Silva, 61 anos. O convite partiu da cunhada, que estava preocupada com ela. ''Meu marido faleceu há pouco mais de um ano. Sem ele, não tinha vontade de sair de casa. Vim para cá sem muita animação, mas percebi que era um ótimo lugar para espairecer a cabeça, esquecer dos problemas. Depois desse tempo, consegui muito mais que isso. Fiz muitas amizades'', conta.
Além do convívio, ela já contabiliza as melhorias no organismo. ''Sentia muitas dores na lombar e nas pernas. Depois que comecei a fazer a dançoterapia, tenho mais disposição e me sinto mais animada para fazer as coisas do dia a dia. Até meu sono está melhor'', diz ela que está desde o início do projeto, há quase um ano.
Para a pernambucana Maria Alves, de 78 anos, as aulas de dança remetem às suas origens. ''Gosto muito de ouvir forró, lembro da minha época da juventude'', conta ela, cantando em seguida ''Asa Branca'', de Luiz Gonzaga. Ela diz que desde que começou a dançar se sente mais disposta. ''Antes não fazia nenhuma atividade física. Agora, se não venho à aula, sinto muita falta'', diz, para completar: ''quando ouço uma música, já começo a rebolar'', diverte-se.
Quem também se beneficia das atividades é a dona de casa Magda Dias, 45 anos. Ela, que teve depressão há dois anos, conta que a dançoterapia a fez melhorar em vários aspectos. ''Aqui, não é somente a dança, mas a alegria e diversão. Com isso, melhorei minha autoestima. Posso dizer que, além da atividade física, o exercício contribuiu até na questão sexual'', revela.
O grupo de dançoterapia existe em vários bairros da cidade. ''Para participar, basta apenas ter vontade, vir com roupa confortável e uma garrafinha de água'', acrescenta o professor Adair. As aulas são gratuitas.
Serviço - As aulas do Jardim Igapó acontecem às quartas-feiras, das 14h30 às 15h30. Informações: 9912-7606

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