Em vez de delitos cometidos nas ruas, movimentos rápidos com braços e pernas. Em vez da algazarra típica de adolescentes à procura do que fazer, o som de músicas urbanas, feitas para embalar as coreografias da street dance. Esta nova realidade vem sendo vivida por dezenas de crianças e jovens que participam do projeto A Rua Dança a Cidade, desenvolvido com recursos do Programa de Incentivo à Cultura (Promic), na Guarda Mirim de Londrina e no Centro Cultural da Zona Norte.
O projeto nasceu por iniciativa do professor Edio Elias Gonçalves, que aprendeu os primeiros movimentos da dança de rua no início da década de 80, e no ano passado resolveu iniciar um trabalho voluntário na Guarda Mirim. ''Eu tive uma adolescência complicada, inclusive com envolvimento com drogas. Quando consegui me livrar, resolvi usar minha experiência para ajudar estes garotos a evitar o caminho errado.'' Este ano o projeto foi aprovado pelo Promic e já atendeu 150 alunos, mas a idéia é ampliá-lo para outros locais, como alternativa para meninos e meninas no contraturno escolar.
Gonçalves desenvolve o projeto com mais dois professores, Marcelo Claudino de Oliveira Ferreira e Luís Carlos Pinheiro da Silva, este último voluntário. ''Trabalhamos de três a quatro meses com cada turma, e é bastante visível a mudança no comportamento dos alunos. Alguns já chegaram a ter envolvimento até com o crime, mas com o tempo vão se transformando'', explica Ferreira.
A expressão dos garotos, enquanto desenvolvem as coreografias, não deixa dúvidas. ''A dança me ajudou a fazer amigos'', afirma Roger Fernando Junior Fernandes, de 17 anos. Outro que não tem dúvidas dos benefícios é Marcos Antonio Ribeiro da Silva, de 16 anos. ''Eu era mais bagunceiro, a dança muda a gente.''
Enquanto na Guarda Mirim o projeto é desenvolvido com meninos de 13 a 16 anos, no Centro Cultural existe quem já tenha passado há muito da adolescência. É o caso de Nilza Bernadete Bento de Souza, 32 anos, mãe de três meninas e um menino, todos frequentadores das aulas com o professor Edio. ''No começo fiquei meio encabulada de aprender a dançar junto com meus filhos e outros adolescentes, mas agora me acostumei.'' Segundo Nilza, as aulas estão fazendo bem para toda a família: ''Eu emagreci seis quilos dançando, e meus filhos passam menos tempo em frente à TV e estão mais calmos'', diz.
Quem tiver interesse em ajudar o projeto, através de patrocínio, pode entrar em contato com o professor Luis Carlos pelo telefone 3327-5585.

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