Ela não é nova. A dança flamenca surgiu por volta do século XV e se espalhou por todo o mundo a partir da década de 40, encantando milhares de pessoas com seus movimentos delicados embalados pela emoção das canções espanholas. Um misto de sensualidade e mistério que encantou a artista plástica Sônia Lanssoni que, só a partir do 60 anos, teve a oportunidade de finalmente aprender um pouco sobre a dança que despertava curiosidade desde pequena.
''Não tenho descendentes espanhóis. Toda a minha família é italiana, mas desde muito cedo essa dança já me fascinava. Quando vi o anúncio no jornal, decidi me matricular imediamente e não me arrependo. Quando danço me sinto realizada, uma verdadeira estrela'', revela a artista plástica de Londrina.
Sônia é uma das jovens senhoras que desde 2009 integra o grupo de dança para terceira idade da Companhia Flamenca Ana Paula Minari. O grupo é composto por 12 mulheres com idade entre 60 e 76 anos, que durante duas horas por semana aprendem um pouco mais sobre a arte que reúne elementos da cultura espanhola, judaica, cigana, árabe e moura.
A professora de dança e idealizadora do trabalho, Ana Paula Minari, conta que o desejo de formar o grupo surgiu há quatro anos, quando durante suas férias assistiu a uma apresentação de um grupo da terceira idade de São Paulo. ''Achei muito interessante o trabalho. Um verdadeiro desafio por ter que adaptar as coreografias a um público que, de forma geral, tem uma resistência um pouco menor que a de jovens e adultos'', afirma Ana Paula. ''O resultado do trabalho foi muito além do que eu imaginava. Eu percebi que o trabalho possibilitava, além do aprendizado da dança, uma qualidade de vida muito melhor para elas.''
Segundo Ana Paula, ''as meninas'', como ela mesmo chama, melhoraram a autoestima, estão mais alegres e já saem mais de casa com as colegas. ''Além do que, muitas delas já melhoraram a coordenação motora, a percepção corporal, o equilíbrio e a memória'', cita a idealizadora do trabalho, garantindo que o empenho das idosas em aprender, na maior parte das vezes, supera o interesse dos alunos mais novos. ''Elas levam as aulas realmente a sério. São empenhadas e só faltam mesmo se for por um motivo muito sério.''
Dedicação que a dançarina mais experiente, Elizabelti Casagrande, 76 anos, afirma ter de sobra. ''A gente sabe que a memória já não é mais a mesma. Às vezes, a professora precisa repetir várias vezes para que consigamos fixar os passos. Mas e daí? O importante mesmo é que nós não desistimos da aula e nem ela de nós'', brinca Elizabelti.
''Pretendo continuar até quando puder. A dança é um verdadeiro calmante para mim, que sou hiperativa'', conta a empresária Jeny Fernandes Mateus, que iniciou as aulas a convite da neta, que já realizava as aulas na escola de dança.
Única descendente de japoneses em meio ao grupo de mulheres, a dona de casa Hetsuco, 66 anos, revela que optou por iniciar as aulas de dança flamenca pelo interesse que tinha em aprender um pouco mais sobre outras culturas. ''A minha eu já conheço desde pequena. Eu queria algo novo e a dança flamenca surgiu com uma atividade interessante de trabalhar o corpo e a mente'', diz a dançarina. ''Bem mais do que qualquer outra atividade física, a dança exige muito mais concentração. Quando você entra aqui, você se desliga do mundo, se liga ao mundo da dança, transcende.''
Durante os quatro anos de formação, o grupo já realizou várias apresentações.
Serviço: Mais informações sobre as aulas de dança flamenca pelo fone (43) 3028-6533.

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